1 em 4 mulheres é estuprada em zona mineradora na África do Sul, diz MSF (G1 – 16/08/2016)

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Médico sem Fronteiras diz que resultados são ‘chocantes, mas não são raros’. Só 5% das mulheres estupradas procuraram centro de cuidados, diz estudo.

Uma em cada quatro mulheres residentes no chamado “cinturão de platina”, zona de mineração no norte da África do Sul, foi estuprada em algum momento da vida, revela um estudo da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) publicado nesta terça-feira (16).

No final de 2015, a MSF realizou uma pesquisa de dois meses em que entrevistou 800 mulheres entre 18 e 49 anos da região de Rustenburg, noroeste de Johannesburgo.

“Nesta investigação descobrimos que uma mulher em cada quatro havia sido estuprada em Rustenburg”, resume à agência France Presse Garret Barnwell da MSF.

“O que nos marcou realmente foi a frequência: pode-se dizer que aproximadamente 11.000 mulheres são vítimas (de estupro) por ano”, afirma.

“Para muitas mulheres, a violência sexual se transformou em parte integrante de sua vida cotidiana. A violência, é sua rotina”, explica Rosina Palai, uma trabalhadora sanitária citada no relatório.

Os resultados da pesquisa são “chocantes, mas não são raros”, em um país onde o estupro está amplamente disseminado”, analisa a MSF.

Atendimento

O documento mostra também que somente 5% das mulheres estupradas procuraram em seguida um centro de cuidados. Essa baixa porcentagem se explica em parte pela vergonha, segundo Barnwell, mas também porque as mulheres têm dificuldade de confiar na equipe médica.

“Aquelas que sobreviveram à violência sexual, enfrentam outros obstáculos para curar-se: a rejeição da comunidade também tem um papel importante, e há poucas possibilidades de acesso a centros de cuidados bem equipados e especializados em violência sexual”, afirma o relatório.

Só a metade das mulheres entrevistadas sabiam que a contaminação pelo vírus da aids pode ser evitada com o acesso a um tratamento anti-HIV logo após o estupro.

Estima-se que na África do Sul, 6,2 milhões de pessoas vivam com o HIV, o que corresponde a 11,2% da população.

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