13 dados que mostram por que PRECISAMOS falar sobre violência sexual contra meninas no Brasil (Brasil Post – 25/11/2015)

Share on Facebook0Share on Google+0Tweet about this on TwitterEmail this to someone

Andreia M., de 23 anos, foi abusada pelo pai de uma amiga aos oito anos de idade, enquanto estudava, e escondeu o que aconteceu por vergonha e culpa. Patrícia D., de 28 anos, foi estuprada aos 16 anos por um desconhecido e, mais tarde descobriu que estava grávida. Maria C, de 32 anos, sofreu uma tentativa de estupro pelo próprio avô, aos 12 anos. Estas são só algumas das histórias que ilustram o tipo deviolência sexual que milhares de meninas sofrem pelo Brasil e, em sua maioria, em silêncio. Estima-se que apenas 10% dos casos de estupro sejam notificados no País.

“A violência contra mulher começa na infância. Isso não tem como negar”, disse Viviana Santiago, especialista em gênero da ONG Plan Internacional, em entrevista ao HuffPost Brasil. “A sociedade é tão machista, que culpa uma menina como mulher por um abuso. Como se o consentimento fosse algo possível para uma criança seis e dez anos de idade, por exemplo”, completa.

Apenas por ser do sexo feminino, milhares de meninas estão sujeitas à violência e o agressor, na maioria das vezes, está dentro de casa. Elas são 94% das vítimas de estupro no Brasil, segundo dados do Ipea. E é preciso mudar essa cultura. Hoje, 25 de novembro, é celebrado o Dia Internacional da Não-Violência Contra a Mulher. Abaixo, estão 13 dados alarmantes que mostram o quanto este crime é um problema enraizado no Brasil e precisa ser enfrentado.

por ser menina1

Do total de vítimas de estupro, 89% são do sexo feminino
Daquelas que têm entre 14 e 17 anos, 94% são meninas
Entre as vítimas de até 13 anos, elas são 81%

 

por ser menina2

51% das vítimas são de cor preta ou parda

 

por ser menina3

24% dos agressores das crianças e adolescentes são os próprios pais ou padrastos
33% são amigos ou conhecidos da vítima
Além disso, 93% dos estupradores de crianças são do sexo masculino

por ser menina4

527 mil pessoas são estupradas por ano no Brasil e, destes casos, apenas 10% são notificados

por ser menina5

Em 48% dos casos envolvendo crianças e adolescentes, há um histórico de estupros anteriores

por ser menina6

Em 38% das vezes que o crime é cometido contra meninas de até 13 anos, o agressor ameaça e intimida a vítima.
Com adolescentes, isso acontece em 46% das vezes

por ser menina7

Em 42% dos casos contra adolescentes a força física ou espancamento é utilizado pelo estuprador.
Com crianças, isso acontece em 32% das vezes

por ser menina8

Em 15% dos crimes envolvendo adolescentes, o estupro resulta em gravidez

por ser menina9

A prática de aborto legal só é possível em menores quando tanto a vítima como o responsável legal estão de acordo.
A taxa de abortos é de apenas 5% quando a vítima possui entre 14 e 17 anos.

por ser menina10

O estupro ou qualquer outro tipo de violência sexual, quando ocorre na fase de formação da mulher, gera consequências a longo prazo e pode ter efeitos físicos e emocionais devastadores para toda a vida.

por ser menina11

Depressão, fobias, ansiedade, suicídio, síndrome de estresse pós-traumático, além de carregar a culpa e o julgamento são algumas das consequências.

por ser menina12
*Dados retirados da pesquisa Estupro no Brasil: uma radiografia segundo os dados da Saúde (Ipea), março de 2014

Existem centros específicos de atendimento a vítimas do sexo feminino.

Saiba como denunciar e procurar ajuda:

No Rio de Janeiro:

A cidade dispõe de um Centro de Atendimento ao Adolescente e à Criança (Caac) para desenvolver, especificamente, ação integrada a vítimas de abuso sexual em parceria com o Hospital Municipal Souza Aguiar.

Endereço: Praça da República, 111 – Centro, Rio de Janeiro – RJ
Telefone: (21) 3111-2622
Redes sociais: https://www.facebook.com/hmsouzaaguiar

Em outros Estados:

A Secretaria de Política para Mulheres tem um disque-denúncia que funciona 24 horas por dia, inclusive aos finais de semana. Basta discar o número 180 para ser atendida. As denúncias são recebidas e encaminhadas à Segurança Pública e ao Ministério Público de cada Estado. Depois, os atendentes orientam a qual delegacia ou serviço a mulher precisa procurar de acordo com sua necessidade. O serviço atende todo o Brasil.

Andréa Martinelli

Acesse no site de origem: 13 dados que mostram por que PRECISAMOS falar sobre violência sexual contra meninas no Brasil (Brasil Post – 25/11/2015)