1º semestre tem 2.575 crimes contra as mulheres na região (Correio de Uberlândia – 12/09/2015)

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A Polícia Militar (PM) registrou, em média, 14 crimes por dia contra as mulheres na 9ª Região Integrada de Segurança Pública (Risp) no primeiro semestre de 2015. São 2.575 casos nos 18 Municípios da região de Uberlândia em seis meses. A morte da consultora de vendas de produtos de beleza Deiviane da Silva Melo, de 36 anos, encontrada carbonizada no Distrito Industrial, zona norte da cidade, nesta semana, colocou a violência contra a mulher novamente em discussão.

Os registros da PM fazem referência, principalmente, às agressões físicas, psicológicas, patrimoniais, morais e sexuais. As agressões físicas representam mais da metade do total dos casos, com 1.329 registros de lesões corporais ou homicídios. Em seguida, estão os atentados psicológicos, com 1.009 casos.

De acordo com a presidente da organização não governamental (ONG) SOS Mulher e Família, Cláudia Souza, há uma cultura de aceitação de agressões tomadas como normais dentro de um âmbito familiar, por exemplo. “A gente vive numa sociedade em que a mulher é objeto de violência historicamente. Um casal pode acabar naturalizando a violência”, disse. Dessa forma, ainda segundo Cláudia Souza, por medo ou desconhecimento dos direitos, muitas vítimas não tomam providências contra agressores por receio de piorar a situação, o que faz com que os números oficiais sejam menores que a contabilidade real.

Cláudia Souza lembrou que, hoje, há uma série de mecanismos para auxiliar as mulheres agredidas, como as leis Maria da Penha e do Feminicídio, que punem com mais rigor os agressores. Ela disse, ainda, que os atendimentos da ONG SOS Mulher e Família tentam quebrar o ciclo de violência por meio de atendimentos jurídicos, psicológicos e outros junto à família.

Conferência

Para discutir Direitos Femininos, ontem, foi iniciada a 2ª Conferência Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres. Há quatro eixos principais em discussão, como contribuição a entidades e movimentos na igualdade de oportunidades para as mulheres, estruturas institucionais, participação feminina no sistema político e políticas nacional para mulheres. Hoje, o evento será iniciado às 8h.

Delegacia instaura 500 inquéritos

A Delegacia Especializada da Mulher em Uberlândia instaurou 500 inquéritos para investigar casos de violência contra mulheres em 2015. A delegada Juliana Machado afirmou que esse número se mantém estável nos últimos três anos, embora, em sua opinião, neste período poderia ter aumentado.
“Muitas mulheres até registram a agressão junto à Polícia Militar, mas não procuram a delegacia para representar contra o agressor”, disse.

Obrigatoriamente, apenas casos de lesão corporal ou tentativa de homicídio, por exemplo, podem ser investigados sem que a vítima procure a Polícia Civil (PC) para o apontamento da agressão.

Agredida por décadas

Por ciúmes, o marido de uma costureira, cujo nome será preservado pelo CORREIO de Uberlândia, a ameaçava de morte e dizia que mataria homens com quem ela conversava. Ela conviveu com isso por 30 anos até se separar. “Com as ameaças, eu fui largando de tudo por medo. Eu desconhecia esse tipo de violência, a psicológica”, afirmou.

Apesar da tendência de queda, PM considera grande o volume de casos

Apesar de ser considerado pela Polícia Militar (PM) um volume grande de casos, as 2.575 agressões em toda a região contra mulheres mostram uma tendência de queda. Números mais recentes fornecidos pela PM mostram que, no primeiro semestre de 2013, houve 3.020 casos e, nos primeiros seis meses de 2014, foram 2.827 registros.

“Ainda assim, consideramos os números altos e esperamos reduzir ainda mais com a implementação do Serviço de Prevenção à Violência Doméstica”, afirmou o capitão da PM, Júlio Cesar de Oliveira. O serviço, em ação desde agosto, oferece acompanhamento das vítimas com órgãos de apoio, além do registro de ocorrência.

Vinícius Lemos

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