2ª adolescente que acusa pagodeiros de estupro é ouvida em audiência (G1/BA – 19/02/2013)

Adolescentes dizem que foram estupradas por músicos na Bahia (Foto: Reprodução/TV Subaé)A segunda adolescente que acusa os integrantes da banda de pagode New Hit de estupro começou a ser ouvida no fórum Edgar Mendes Quintelas, na cidade baiana de Ruy Barbosa, por volta das 14h30 desta terça-feira (19). A outra jovem já havia prestado depoimento na segunda-feira (18). O conteúdo dos depoimentos não é revelado pela Justiça.

Testemunhas do caso prestam depoimento em audiência de instrução desde segunda-feira. A ação da Justiça acontece até quarta-feira (20), e é presidida pela juíza Márcia Simões.

Neste segundo dia de audiência, os integrantes da banda chegaram ao fórum sob protestos de mulheres. A polícia reforçou a segurança no local para impedir que as manifestantes se aproximassem dos suspeitos. No primeiro dia, eles também foram recebidos por gritos e vaias.

Durante a manhã desta terça-feira, foram ouvidas três conselheiras tutelares. A adolescente é a quarta pessoa a prestar depoimento.

Primeira audiência

Ao todo, seis pessoas prestaram depoimento na segunda-feira. A última pessoa a ser ouvida foi um dos músicos da banda. O depoimento dele foi encerrado por volta das 21h30. Até a quarta-feira, 32 pessoas devem ser ouvidas sobre o caso pela juíza Márcia Simões.

Durante a segunda-feira também foram ouvidos dois policiais militares, uma ginecologista, uma mulher cuja função no caso não foi esclarecida, além de uma das adolescentes que fizeram a denúncia contra a banda.

A jovem foi interrogada pela promotora de Justiça que pede a condenação dos suspeitos. O depoimento dela durou cerca de três horas. Escoltada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), a garota chegou ao fórum acompanhada da mãe, de uma representante do Programa de Proteção (PPCAM) e da advogada do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedeca).

Músicos da banda New Hit foram ouvidos na BA (Foto: Imagem / TV Bahia)Os advogados dos réus chegaram a solicitar a impugnação do depoimento da ginecologista, que confirmou o desvirginamento de uma das vítimas durante a investigação, mas a juíza não acatou o pedido e deu prosseguimento ao relato.

Duas testemunhas estão marcadas para serem ouvidas no dia 5 de junho, mas, de acordo com a promotora do caso, Marisa Jansen, a finalização do processo pode ser determinada ainda esse mês e sem as duas testemunhas serem ouvidas. “A juíza pode entender que há provas substanciais e assim, determinar a pena”, afirmou a promotora.

Caso

Nove integrantes da banda New Hit ficaram presos 38 dias sob a suspeita de envolvimento no estupro das duas vítimas. Eles foram soltos no dia 3 de outubro mediante um pedido de habeas corpus. Um policial militar que fazia a segurança do grupo também é suspeito de ter sido conivente com o crime. Todos eles, inclusive o PM, foram indiciados por estupro e formação de quadrilha no dia 25 de setembro.

O caso ocorreu após a participação do grupo em uma micareta da cidade de Ruy Barbosa. O grupo New Hit tocou em um trio elétrico e depois recebeu as vítimas foram no ônibus da banda, para tirar fotos. Segundo relato das garotas, elas foram até o trio da banda para pedir autógrafos e tirar fotos com os artistas. Um produtor do grupo teria orientado as garotas a ir para o ônibus da banda.

Segundo a polícia, dois integrantes admitiram que fizeram sexo com as adolescentes, porém com consentimento. Os outros negaram que tiveram relação sexual com as garotas.Os músicos disseram que não têm costume de receber fãs no ônibus da produção e que isso teria ocorrido por se tratar de uma ocasião especial.

“Como foi um lance de trio, foi uma ocasião especial porque não tinha onde tirar foto, já tinha outra banda para subir para levar o percurso do trio e foi uma ocasião especial”, disse Eduardo Martins, vocalista da New Hit na época do ocorrido.

Perguntado sobre a versão deles sobre as acusações, Martins disse: “Não podemos falar sobre os fatos por segurança dos nossos advogados e não podemos entrar em detalhe sobre os fatos, mas a Justiça vai fazer justiça, e com fé em Deus todas as provas vão aparecer e as coisas vão ser bem encaminhadas”, explicou o músico.

Mulheres fizeram protesto em Ruy Barbosa, na Bahia (Foto: Maíra Guedes/ Marcha Mundial das Mulheres)Denúncia
A juíza da Vara Crime de Ruy Barbosa, Márcia Simões da Costa, recebeu no dia 4 de outubro a denúncia de estupro qualificado pelo Ministério Público da Bahia(MP-BA), de autoria da promotora Marisa Marinho.

Em nota, o MP-BA informou que a promotora relatou no documento que durante a ação uma das vítimas foi “puxada pelos cabelos, agredida fisicamente e xingada” por seis dos suspeitos. Na denúncia, a promotora classifica como “vis e animalescos” os atos cometidos contra a outra adolescente envolvida no caso.

Secretária lamenta

Em documento divulgado no dia 3 de outubro, a secretária estadual de Políticas para as Mulheres, Lúcia Barbosa, lamentou a soltura dos suspeitos. No documento, ela diz que “o caso merece atenção especial, uma vez que o ato possui características de crime hediondo, com participação de mais de um autor, contra vítimas que não puderam e nem conseguiriam esboçar qualquer reação de defesa”.

Ainda no documento, ela falou da importância dos responsáveis serem julgados para que o caso não fique impune. “Acreditamos que a Justiça dará os encaminhamentos necessários para a responsabilização dos acusados. O importante é não deixar este episódio impune. É preciso que o caso sirva de exemplo para a sociedade, evitando a possível sensação de impunidade. Esta é uma oportunidade de reafirmar que as mulheres baianas têm direito a uma vida sem violência”, pontuou.

Investigações
De acordo com o delegado Marcelo Cavalcanti, o laudo fornecido pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT), de Feira de Santana apontou que foi encontrada uma quantidade de sêmen nas roupas das meninas e de um dos músicos. Segundo a polícia, o resultado foi considerado prova material e influenciou no indiciamento dos suspeitos.

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