64% da violência contra a mulher em Curitiba acontece dentro de casa (Gazeta do Povo – 04/07/2016)

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Relacionamento abusivo pode terminar em violência, entenda como identificar e se livrar disso

No ano passado, a Secretaria Municipal da Saúde registrou um total de 1.998 notificações de violência contra mulheres. Os dados levantados mostram um “inimigo íntimo”, já que 64% das ocorrências relatadas aconteceram dentro de casa. Além disso, 44,7% das mulheres eram casadas ou viviam em união consensual estável e, em 32.2% dos casos, o marido ou companheiro foram os agressores mais frequentes. As agressões físicas somam um total de 47,6%, seguida da psicológica com 32,2% e da sexual, 6,8%.

De acordo com Fernanda de Ferrante, professora de psicologia do UniBrasil Centro Universitário, a violência pode ser culpa de um relacionamento abusivo, que muitas mulheres sequer se dão conta de estar passando. “Eles são caracterizados por um jogo de controle, violência e ciúmes”. Segundo ela, o abuso pode começar com qualquer atitude que priva a mulher da sua liberdade como precisar dar satisfação demais e até terminar em morte ou estupro.

A especialista aponta que a história não é favorável com as mulheres, e que muitas se baseiam em erros culturais para justificar o relacionamento que vivem. “É um reflexo de quando dizemos que as meninas não podem falar palavrão nem brincar na rua, que isso é coisa de menino”, tudo isso pode influenciar na maneira de agir em um relacionamento a dois. A mulher precisa entender que não é sua obrigação servir o parceiro. “É muito comum ouvir de uma mulher abusada que ela foi traída porque é coisa de homem, ou porque foi grosseiro porque está muito estressado”, diz.

O parceiro com perfil de abusador costuma mascarar o comportamento inadequado, dizendo que é um cuidado excessivo. No começo a mulher até acha isso bonito. “Mas é um ciclo que vai aumentando. Antes ela não podia sair sozinha porque era perigoso, depois os quadros de ciúme aumentam, ela não pode mais encontrar os amigos e as antigas amigas são comparadas a ‘vagabundas’. Não existe mais vida além do relacionamento e do trabalho (quando existe)”, comenta. O discurso seduz. Ele justifica suas atitudes dizendo que busca a felicidade da parceira. Ela acredita, confunde tudo com excesso de amor e cuidado. “É diferente da violência que acontece na rua porque ela é baseada em amor. Você não consegue acreditar que alguém que te ama possa te prejudicar”, diz.

Quando as agressões evoluem podem criar traumas para toda a vida. Às vezes, a violência psicológica pode ferir mais que a física, pois a mulher perde a sua força, sua autonomia. Assim o abusador consegue mantê-la na relação. “Ele vai ‘coisificar’ a parceira a tratando como um objeto de posse que não tem vontade própria e nem sequer pode questionar qualquer situação”, fala. A violência doméstica costuma ser cíclica. Uma pessoa abusiva pode dizer que ama você e que irá mudar, portanto você não tem que deixá-la. No entanto, quanto mais vezes você a recebe de volta, mais controle ela ganhará sobre você. Tenha certeza de prestar atenção em suas ações e não apenas em suas palavras.

Denuncie

A denúncia de violência doméstica pode ser feita em qualquer delegacia, com o registro de um boletim de ocorrência, ou pela Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180), serviço da Secretaria de Políticas para as Mulheres. A denúncia é anônima e gratuita, disponível 24 horas, em todo o país. Para proteger e ajudar as mulheres a entenderem quais são seus direitos, em 2014, a Secretaria lançou um aplicativo para celular (Clique 180) que traz diversas informações importantes, como os tópicos da Lei Maria da Penha. A prefeitura também oferece a Casa da Mulher Brasileira, que acolhe as mulheres em situação de violência. A terapia é um processo fundamental. A mulher precisa saber que tem direitos e voltar a ter vontade própria.
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Ciúmes

É ciumento com sua família, amigos e colegas de trabalho. Tenta isolar você de qualquer um desses grupos. Acusa você, sem razão, de traição ou de flertar com outros homens. Pergunta onde você estava e com quem estava de uma maneira acusadora.

Chantagem
Uma pessoa abusiva exige que ser o centro das atenções. É comum ouvir: “mas você vai ver sua mãe e me deixar aqui sozinho”, por exemplo.

Superioridade
Ele está sempre certo. Se for preciso, vai xingar para sair por cima da conversa. Seu objetivo é fazer com que você se sinta fraca, de modo que você não queira deixa-lo pois “precisa” dele.

Promessas
O abusador vai pedir desculpa e prometer mudar. Oferecer uma vida nova e melhor sempre estará nos seus planos.

Punição
Uma pessoa abusiva emocionalmente pode privar você de sexo, de intimidade emocional, ou joga um jogo silencioso como punição quando não consegue as coisas do seu jeito.

Bruna Covacci

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