A cada duas horas, uma mulher é vítima de violência em MS (O Estado – 21/07/2015)

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Os casos de violência doméstica tiveram um salto neste ano se comparado com o mesmo período de 2014. Até ontem, segundo dados da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública), foram 2.840 denúncias – uma a cada duas horas – contra 2.608 no ano passado.

Na Capital, a situação é a mesma, foram 182 casos de violência contra a mulher a mais neste ano que no anterio – 924 (um a cada seis horas) contra 745 –, aumento de 24% no número de ocorrências.

Na contramão dessa estatística, os homicídios dolosos e culposos, também crimes contra a pessoa, tiveram queda no mesmo período. Em 2014, foram registrados 299 homicídios dolosos no Estado, enquanto neste ano foram 289. No caso dos culposos, o número, que já era baixo, ficou ainda menor.

Para a delegada Rozely Molina, chefe da Deam (Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher) e da Casa da Mulher Brasileira, os números não representam que a violência tenha aumentado e sim um maior entendimento sobre o crime. “As mulheres de hoje não ficam 10, 20 ou 30 anos caladas sofrendo a violência até serem mortas, no primeiro sinal elas já nos procuram”.

De acordo com a delegada, a criação da Casa da Mulher fez com que as vítimas “se sentissem mais seguras para denunciar”. “Elas estão perdendo o medo, isso é um avanço no enfrentamento à esse tipo de violência. A Polícia Civil está trabalhando para que essas mulheres nos procurem, nem que seja para uma conversa”, completou a delegada.

Duas mulheres foram assassinadas pelos companheiros

A Casa de Mulher foi inaugurada em fevereiro deste ano e até o dia 3 deste mês já foram atendidas 3.171 mulheres e lavrados mais de 3,3 mil boletins de ocorrência, nem todos como violência doméstica, de acordo com a delegada.

“No ano que vem vai fazer 30 anos da existência da Delegacia da Mulher (em Mato Grosso do Sul) e de lá para cá já tivemos muitos avanços. O principal desafio é mudar a mentalidade das pessoas, por isso, temos vários projetos de orientação nas escolas, empresas e centro comunitário”, disse Rosely.

Neste ano duas mulheres já foram mortas por companheiros em Campo Grande. O primeiro caso aconteceu no dia 22 de fevereiro. A auxiliar de limpeza Suellen Pereira da Costa, 28, foi esfaqueada e alvejada por tiros disparados pelo marido, Roberto César Pereira Oliveira, 32, após uma discussão, no Jardim Anache – norte da Capital. De acordo com a família, a vítima era constantemente agredida, mas não denunciava por que o agressor a ameaçava de morte e também a sua família.

O segundo aconteceu no mês passado. O corpo de Isis Caroline da Silva Santos, 24, foi encontrado nos fundos de um posto de gasolina, na área rural de Ribas do Rio Pardo – a 97 km de Campo Grande – no dia 6 de junho, cinco dias depois de desaparecer se sua residência, em Campo Grande.

Ela foi morta pelo ex-marido, Alex Arlindo Anacleto de Souza, 32, após ter denunciado uma agressão, em 2014, em Três Lagoas, onde o casal morava. Ambas as vítimas deixaram dois filhos.

Mulher que já sofreu quatro agressões procura ajuda

Há dois anos com o companheiro, a diarista de 50 anos “tomou” coragem após sofrer agressões frequentes durante o relacionamento e o denunciou ontem. A criação e divulgação do trabalho da Casa da Mulher Brasileira deram a ela maior segurança e confiança para registrar a ocorrência nesta segunda-feira (20).

“Já fui agredida outras vezes. Umas três ou quatro vezes, mas essa é a primeira vez que denuncio. Antes, tinha a esperança de que mudasse e acreditava nas promessas que ele dizia, mas não aconteceu. A última foi no sábado (18). Ele saiu cedo e voltou bêbado. Fui conversar e ele já começou a me agredir. Me segurou pelos braços e me jogou no sofá. Consegui fugir e chamar ajuda”, contou mostrando os hematomas.

Conforme a vítima, que pediu para ter a identidade preservada, o companheiro é alcoólatra. “Ele até tem um pouco de ciúmes, mas as agressões acontecem sempre que bebe. Ele se transforma. Ele tem problema com álcool e ainda está desempregado. Já pedi várias vezes que ele saísse de casa, tentei separar amigavelmente, mas ele diz que não vai sair. Inclusive ele arrebentou o cadeado e está lá em casa agora”, relatou, ressaltando que foi feito o pedido de medida protetiva e ele deve ser notificado.

“Fico mais tranquila, pois sei que ele chegar perto posso ligar para a polícia e ele é preso. O juiz ainda vai determinar a distância”, completou.

Daiany Albuquerque e Leandro Abreu

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