‘A cultura da violência está introjetada em todos nós’, alerta médica e pesquisadora de violência contra as mulheres

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Especialista participará de Painel no I Seminário Internacional Cultura da Violência contra as Mulheres. As inscrições para o evento estão encerradas, mas toda a programação será transmitida em tempo real via Google Hangout, com tradução simultânea em inglês e espanhol, pelo site do evento: www.scovaw.org

(Agência Patrícia Galvão, 14/05/2015) Ana Flávia D´Oliveira, professora da Faculdade de Medicina da USP e pesquisadora de violência de gênero será a moderadora da mesa Perspectivas propositivas para uma Cultura de Não-Violência contra as Mulheres, durante o I Seminário Internacional Cultura da Violência contra as Mulheres, que ocorrerá entre 20 e 21 de maio, em São Paulo. De acordo com Ana Flávia, o tema cultura da violência é ainda pouco discutido e um dos méritos do seminário será “abrir um campo de reflexão e instigação sobre as causas da violência e como podemos combatê-las”.

“Estamos tentando pensar quais são as mudanças importantes na nossa sociedade para que a gente deixe de aceitar a violência como forma de resolução de conflito e deixe de imaginar que homens e mulheres têm papeis e lugares bastante rígidos na sociedade. Como, por exemplo, a ideia de que mulheres devem ser recatadas sexualmente e homens devem ser agressivos sexualmente. Essa é uma norma social que estimula desigualdades e dificulta o exercício dos direitos sexuais, engendrando a violência sexual”, contextualiza a especialista.

Leia também: Cultura de violência contra as mulheres será debatida durante seminário internacional

Coordenadora no Brasil do estudo multipaíses da OMS (Organização Mundial da Saúde) sobre saúde e violência doméstica, Ana Flávia explica que a análise do contexto social dos envolvidos diretamente e indiretamente nos casos de violência contra as mulheres é essencial para a compreensão deste grave problema. “Fatores dos indivíduos, tanto das vítimas quanto dos agressores, da qualidade da relação entre eles, do meio social, da comunidade onde eles vivem, do país ou da sociedade onde eles vivem, que dizem respeito à legislação, normas culturais, desigualdade entre homens e mulheres em termos de participação política, acesso à informação, acesso à Justiça, de nível salarial, entre outros – influenciam neste quadro”, exemplifica.

No Seminário, a médica coordenará os debates do primeiro painel que abordará as perspectivas propositivas para uma cultura de não-violência contra as mulheres. O painel contará com a participação de Luiza Barros, ex-ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República; Flávia Piovesan, procuradora do Estado de São Paulo; e Rita Laura Segato, professora do Departamento de Antropologia na Universidade de Brasília.​

Confira a programação completa do Seminário e conheça os palestrantes e painelistas que estarão presentes neste percurso.