A violência da mídia contra a mulher é tema de palestra em encontro promovido pelo Ministério Público (MPPB – 27/11/2014)

A mulher no Brasil é agredida duplamente pela mídia: uma de forma velada, por meio de modelos comportamentais e da publicidade que prega padrões de beleza; e outra de forma mais explícita, a violência propriamente dita, segundo a psicóloga Rachel Moreno, que proferiu a palestra ‘Mídia e Violência Simbólica Contra a Mulher’, no final da manhã desta quinta-feira (27), no segundo dia do ‘V Encontro Nacional do Ministério Público Sobre Violência Contra a Mulher’, realizado no auditório do Centro Universitário de João Pessoa (Unipê) e promovido pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB).

‘Mídia e Violência Simbólica Contra a Mulher’, no ‘V Encontro Nacional do Ministério Público Sobre Violência Contra a Mulher’ (Foto: MPPB)

De acordo com Rachel Moreno, a mídia mostra a todo momento um modelo de beleza e felicidade, escravizando o comportamento das mulheres. “Isso é uma forma de violência sutil”, ressalta ela, destacando: “A mulher passa a sofre a violência do padrão de beleza definido, reduzindo sua auto-estima. A mãe, por exemplo, quer ver a filha feliz, pagando cirurgia plástica e outras interferências. Isso é uma forma de violência”.

‘Mídia e Violência Simbólica Contra a Mulher’, no ‘V Encontro Nacional do Ministério Público Sobre Violência Contra a Mulher’ (Foto: MPPB)

A outra forma de violência contra a mulher na mídia é a própria banalização da violência, promovida por programas radiofônicos e televisivos sem o mínimo de respeito à pessoa humana, principalmente ao gênero feminino. “A banalização da violência passa a ser vista como natural pela sociedade”, ressalta. “As rádios e tevês são concessões públicas e a responsabilidade social deveria ser cobrada dos proprietários. Mas esperar que situação? Se no país apenas um grupo de seis famílias é dono dos meios de comunicação? São apenas seis famílias que determinam o que você deve saber ou não; uma verdadeira máquina que, por exemplo, prega um posicionamento político em relação ao governo…”.

“Temos que ter uma pluralidade de pontos de vista nos noticiários. Mas isso não é cumprido”, acrescenta Rachel Moreno, lembrando também que “a mulher está invisível na tevê brasileira”. E ela explica: “Um estudo da Unesco mostra que a mulher só ocupa 8% dos telejornais e quase sempre como vítima ou testemunha e raramente como especialista ou protagonista”.

Rachel Moreno é graduada em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP); mestra em Meio Ambiente e Sociedade; integrante do Conselho Nacional de Direitos da Mulher (CNDM); sócia-fundadora do Observatório da Mulher e do Coletivo Feminista e Sexualidade e Saúde. Em sua palestra, ela dividiu a mesa do evento com a secretária executiva da Secretaria de Políticas Para as Mulheres da Presidência da República, Lourdes Maria Bandeira; e com a secretária de Estado da Mulher e da Diversidade Humana do Governo da Paraíba, Gilberta Santos Soares.

No final da manhã desta quinta-feira (27) ainda ocorreu a palestra da secretária executiva Lourdes Bandeira, que tratou de forma institucional o tema ‘O Desafio da Transversalidade de Gênero nas Políticas Públicas’.

O encontro no Unipê é uma realização do Ministério Público da Paraíba (MPPB), por meio das Promotorias de Justiça de Defesa dos Direitos da Mulher de João Pessoa e Campina Grande; do Grupo Nacional de Direitos Humanos (GNDH), da Comissão Permanente de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher (Copevid); e do Conselho Nacional de Procuradores Gerais (CNPG).

O evento ainda tem apoio da Associação Paraibana do Ministério Público (APMP); do Governo da Paraíba, por meio da Secretaria de Estado da Mulher e da Diversidade Humana; das Prefeituras de João Pessoa (PMJP) e Campina Grande (PMCG); do Centro Universitário de João Pessoa (Unipê); da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e do Grupo São Braz.

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