‘Absolutamente encerrado’, diz polícia sobre caso de estupro e morte (G1 – 02/07/2015)

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Vítimas foram abordadas na Paraíba, violentadas e uma delas morta em PE. Bebê de uma delas foi deixado na mata, mas foi socorrido e já recebeu alta.

“Absolutamente encerrado”. Esta é a avaliação da delegada da Paraíba Roberta Neiva, uma das responsáveis por investigar o estuprar duas mulheres e matar uma delas em Goiana, Pernambuco, entre os dias 20 e 21 de junho, sobre o caso. Para a delegada, os depoimentos dos suspeitos e da vítima que sobreviveu não deixam dúvidas sobre a autoria por parte dos presos. A declaração foi feita em entrevista à TV Cabo Branco nesta quinta-feira (2).

“Não há dúvidas dos dois agentes que estão presos. O suspeito de estuprar e matar, pelo passado criminoso, é absolutamente compatível com as ações praticadas. Para a polícia [o caso] está encerrado”, explicou Roberta Neiva. A delegada também aproveitou e descartou qualquer possibilidade de algum parente das vítimas ter envolvimento nos crimes registrados.

O suspeito de estuprar e matar uma das vítimas cumpriu cerca de oito anos de prisão na cidade de Igarassu, em Pernambuco, e estava em liberdade condicional quando cometeu o novo crime. “Ele é dedicado à criminalidade, tem uma lista extensa de crimes. É natural que o instinto maldoso, cruel, vilão, aflorasse de uma hora para outra. É extremamente perigoso, é frio e tranquilo na abordagem e condução das vítimas. Em nenhum momento, durante o trajeto, pensou em recuar”, destacou Neiva. Ela considera que o outro suspeito, responsável por ajudar no sequestro, é “mais primitivo, violento e emocional, com um perfil que seria mais conduzido pelo principal suspeito”.

O principal suspeito do crime foi preso na manhã de terça-feira (30) e, segundo a polícia, estava desarmado no momento do crime. Um outro suspeito também foi preso, mas segundo a polícia, só teve participação na abordagem das vítimas com a intenção de roubar o veículo onde as mulheres estavam e não teria participado dos estupros nem do assassinato de uma das vítimas.

Os dois foram transferidos para a Penitenciária Romeu Gonçalves de Abrantes, conhecido como PB1, em João Pessoa na noite de quarta-feira (1º).

Durante o dia, eles prestaram depoimento ao delegado Walter Brandão, que disse que o suspeito confessou o crime. O delegado também apresentou a moto usada no crime, que, segundo ele, corresponde à descrição feita pela vítima que sobreviveu.

Como tudo aconteceu
Durante a entrevista coletiva realizada na terça-feira, a delegada Roberta Neiva, presidente do inquérito, explicou como o crime foi cometido. Segundo ela, o homem primeiro parou na cidade paraibana de Alhandra, onde estuprou a mulher que morreu, enquanto a que sobreviveu e o bebê estavam dentro do carro amarrados.

Depois, ele amarrou a mulher que já havia sido estuprada e a colocou dentro da mala do carro. O criminoso deu algumas voltas no veículo, parou em Goiana e estuprou a segunda mulher. Em seguida, ele largou o bebê na mata e colocou as duas mulheres no chão, onde passou com o carro por cima delas. Apenas uma delas sobreviveu à tentativa de homicídio, mas ficou gravemente ferida.

O bebê foi abandonado em uma mata próximo ao local do crime. “O chão era escorregadio e ela estava muito debilitada e amarrada. Ela passou a noite toda vendo o corpo da amiga e escutando o choro do filho, mas sem conseguir vê-lo. E o que trazia esperanças para ela era ouvir o choro dele e saber que ele estava vivo”, contou a delegada.

Um deles desistiu do crime
De acordo com a polícia, em um determinado ponto do trajeto entre João Pessoa e o local do crime, os dois suspeitos entraram em desacordo sobre o estupro das duas mulheres e o primeiro homem a ser preso, teria voltado para João Pessoa de moto e apenas o segundo suspeito, preso nesta terça-feira, seria o responsável pelo estupro das vítimas e assassinato de uma delas. A polícia não esclareceu se o segundo suspeito obteve ajuda de alguém, para posteriormente, incendiar o veículo e sair do canavial onde o carro foi abandonado.

Além das duas mulheres, um bebê de nove meses, filho de uma delas, também estava no veículo. A criança foi encontrada próximo ao local onde estavam as mulheres. Ele chegou a ser hospitalizado, mas foi liberado e passa bem. Segundo a polícia, a mãe do bebê, que ficou ferida, já saiu da UTI e lembra de tudo que aconteceu.

“A gente tem que considerar que eram duas mulheres, uma delas preocupadíssima com o seu bebê, acreditando que ele estava armado. Ela não viu (se ele estava armado ou não), mas não ia duvidar dele. Tem que considerar também que o suspeito, além de homem, tem uma condição física forte. Ele já havia agredido, ainda dentro do carro, fisicamente as vítimas. Inclusive ele as amarrou, enquanto ele estuprava uma. Colocou na mala, inclusive amarrada, e estuprou a outra”, disse.

A polícia chegou aos suspeitos fazendo um levantamento sobre pessoas que já tiveram envolvimento em roubos de carros. O primeiro suspeito a ser preso, que teria participado somente do roubo e foi encontrado no sábado (27), indicou quem era o outro homem envolvido no crime. Segundo a polícia, houve maior dificuldade de encontrar esse segundo suspeito por conta do deslocamento constante dele. Ele tinha endereços em João Pessoa, Bayeuxx, Caaporãxe Pedras de Fogox, na Paraíba, e em Igarassu e Itambéx, em Pernambuco. Ele foi encontrado em um bar às margens da BR-101, no município de Igarassu.

O delegado Walter Brandão explicou que os presos confessaram o crime e disseram que estavam em um bar em Mangabeira VII no dia 20 e saíram de moto por volta das 17h com o objetivo de roubar carros. O delegado Marcos Paulo acrescentou que o suspeito dos estupros disse ter consumido álcool e usado cocaína antes de cometer o crime.

Ainda de acordo com a polícia da Paraíba, não houve sequestro no caso, como chegou a ser cogitado inicialmente. O delegado Felipe Ribeiro, titular da 9ª Delegacia Distrital, explicou que os dois presos vão ser indiciados por roubo duplamente qualificado, pela privação da liberdade das vítimas e por terem cometido o crime junto com outra pessoa.

O segundo suspeito a ser preso vai responder por todos os outros crimes e pode pegar até 110 anos de prisão, segundo Marcos Paulo Vilela. Conforme o delegado, além do roubo, ele vai ser indiciado por duplo estupro, dupla tentativa de homicídio duplamente qualificada (de uma das mulheres e do bebê) e  homicídio duplamente qualificado.

A prisão do segundo suspeito aconteceu na cidade pernambucana de Igarassu. O homem foi conduzido para a Central de Polícia de João Pessoa. Ele já tinha passagem pela polícia pelos crimes de porte ilegal de arma, tentativa de homicídio e roubo de carros.

O delegado Marcos Paulo informou que o inquérito deve ser encaminhado para o Ministério Público até segunda-feira. Os suspeitos ainda estão detidos na Central de Polícia e o secretário de Administração Penitenciária Wagner Dorta é quem deve definir se eles vão ser encaminhados para o Presídio do Roger, a unidade que abriga presos provisórios em João Pessoa, ou para o Complexo Penitenciário de Segurança Máxima Romeu Gonçalves de Abrantes, mais conhecido como PB1.

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