Abuso de menores avança mais de 30% em Manaus (Em Tempo – 02/02/2017)

Avançou o número de crianças e adolescentes vítimas de abuso e exploração sexual em Manaus, conforme boletim do Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias Indivíduos (Paefi) divulgado pela Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh). Na escalada dessa violência, foram 443 crianças e adolescentes que sofreram algum tipo de abuso sexual.

As informações, divulgadas nesta quarta (1º), dão conta de que, em 2015, 336 menores foram vítimas de abuso sexual, ou seja, aumento de 31,8% no total comparativo. Quanto ao número da exploração sexual, em 2016, ao todo foram registradas 81 vítimas contra 55 registros ocasionados ao longo de 2015, um avanço que superou os 47% no acumulado.

A titular da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), Juliana Tuma, explicou que os casos de abusos são praticados muitas vezes por pessoas próximas à criança, que não consegue denunciar o agressor por vergonha,medo ou mesmo por não ter sua versão amparada pela família.

A delegada explicou que é muito mais fácil às menores, somente após a maturidade, compreender o que aconteceu e ter independência para fazer a denúncia, considerando que, muitas vezes, as vítimas dependem financeiramente do abusador. Ela fez questão de ressaltar que vê o aumento nos casos como algo positivo, pois demonstra que as pessoas estão perdendo o medo de denunciar.

“Os casos de abuso e violência sexual não têm classe social. Claro que as estatísticas mais consolidadas se concentram nas zonas Leste e Norte, mas isso só porque são as mais povoadas. Há casos, sobre os quais por enquanto não podemos revelar nomes para não prejudicar as investigações, que aconteceram recente na alta classe da Centro-Sul”, revelou.

Estatísticas

De acordo com estatísticas revelada pelo Comitê Estadual de Enfrentamento ao Abuso e à Violência Sexual de Crianças e Adolescentes no Amazonas (Cevesca),em 88% das violências sexuais infantis praticadas no lar, o agressor faz parte do círculo de convivência da criança. Os dados informam que quatro a cada dez crianças vítimas de abuso sexual foram agredidas pelo próprio pai e três pelo padrasto. O tio é o terceiro agressor mais comum (15%), seguido de vizinhos (9%) e primos(6%).

“Há casos em que a criança se sente protegida por seu abusador e ache que estaria cometendo uma traição se falasse sobre o contato sexual. A fim de manter o ato em segredo, o abusador joga com o medo, a humilhação ou a culpa de sua vítima”, explicou a assistente social da Casa Mamãe Margarida, Roselande Vieira.

Para ela, a recuperação da autoestima das crianças adolescentes em condições de vulnerabilidade social ou vítimas de abuso demora anos, por isso a melhor forma de combate a esses crimes ainda é a denúncia. “Temos em Manaus uma forte política de repressão aos agressores, mas para sairmos da impunidade é preciso denunciar”, finalizou.

Henrique Xavier
EM TEMPO

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