Abuso sexual na região metropolitana de Cuiabá levou 24 à cadeia só este ano (Folha do Estado – 02/05/2016)

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Em apenas um ano, as prisões por esse tipo de delito registraram aumento de 60% ante ao período de 2015; número refere-se aos suspeitos presos pelo crime de estupro na região metropolitana em 2016; outras sete pessoas continuam sendo procuradas pela Polícia Civil, conforme delegado da Deddica. Denúncias aumentaram nos últimos tempos

De janeiro até os primeiros 15 dias de abril, 24 estupradores de crianças e adolescentes foram presos pela Polícia Civil, na região metropolitana. O número apresenta um aumento de 60% em relação ao ano de 2015, quando somaram 15 prisões, nesse mesmo período.

Conforme a Delegacia Especializada de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Deddica), 40% dos delitos são cometidos por alguma pessoa da família, geralmente país, padrastos, tios ou avós.

Além do estupro, os suspeitos foram detidos também por corrupção de menores, ou seja, quando adultos induzem menores de idade à prática do crime. Esses tipos de delitos são cometidos em sua maioria por mulheres.

De acordo com o delegado Eduardo Botelho, 16 suspeitos foram presos em flagrantes e oito detidos por força de mandado de prisão. Ao todo, sete estupradores estão foragidos e estão sendo procurados pela Justiça. Em 2016, 70 inquéritos policiais estão em curso.

No fim do mês de março, o jornalista João Carlos Queiroz foi preso por estupro de vulnerável suspeito de ter abusado de uma menina de 11 anos na Lagoa Trevisan, em Cuiabá.

De acordo com a Polícia Civil, o crime ocorreu durante uma reunião de amigos e na ocasião, João Carlos passou a mão nos seios e nas nádegas da criança, que confirmou os abusos durante depoimento à polícia. Havia a suspeita, na época, de que o homem também haveria abusado de outras duas crianças, o que foi descartado. Ele foi indiciado pelo crime de estupro de vulnerável e lesão corporal. O jornalista continua preso no Centro de Ressocialização de Cuiabá (CCC), no bairro Carumbé.

De acordo com o delegado, Eduardo Botelho, as denúncias sobre estupro têm crescido cada vez mais na região metropolitana. “As vítimas têm tido mais coragem para denunciar os abusos que vem sofrendo. Isso ocorre, porque elas ficam sabendo que outras pessoas passam pela mesma situação e tomam coragem de denunciar”.

Botelho confirma que os estupros contra crianças ainda possuem muita participação de familiares ou amigos. “É difícil mensurar o quanto de criança sofrem abusos.
A maioria dos crimes acontece dentro da própria casa. Muitas vezes, as mães são coniventes com esses crimes com medo de perder o casamento e a ajuda financeira do parceiro. A vergonha perante a família também é um fato que atrapalha as denuncias pelas vítimas”.

Pai e padrasto ainda são principais agressores

Desde o início do ano, a Polícia Civil contabilizou 71 casos de denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes em Cuiabá. Mais o que chama atenção é o envolvimento dos familiares nos crimes de abusos sexual. Em 2016, 24 estupradores foram presos e de acordo com a Delegacia Especializada de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Deddica), 40% dos casos têm participação dos pais, padrasto ou amigo da família.

No começo do mês passado, um homem de 39 anos foi preso em cumprimento de mandado de prisão preventiva por estuprar e engravidar a filha adolescente. O crime ocorreu há quatro anos, quando a menina tinha 13 anos. A criança, que tem como pai, o próprio avô, nasceu e tem dois anos.

O delegado, Eduardo Botelho da Deddica, afirma que geralmente os familiares ameaçam as vítimas para que elas não denunciem. “Geralmente esses suspeitos são os chefes da família. Com isso, as vítimas se sentem ameaçadas e não fazem as denuncias dos abusos que elas sofrem. Outra dificuldade que encontramos é das mães continuarem com as investigações. Elas preferem abafar os casos, do que ver seus parceiros presos”, conta.

Eduardo Botelho informou também que houve aumento de registros de abusos sexuais envolvendo padrastos. Ele contou que em uma semana chegou a receber quatro casos deste tipo e o que chama a atenção é a postura das mães das vítimas.

“A própria mãe dá mais valor na palavra do investigado do que nos relatos da filha. Essa postura pode estar relacionada à questão econômica da família e a dependência financeira”.

Botelho ressalta que em 95% dos crimes investigados os suspeitos possuem uma ligação anterior com a vítima. Antes de praticar o ato, os agressores procuram ganhar a confiança para depois colocar o intento criminoso em prática. “Como esses crimes são praticados por pessoas próximas à vítima, elas possuem certa dificuldade em tornar público os abusos sofrido”.

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