Acusação de Mizael mostra fotos e faz jurados chorarem (Folha Online – 14/03/2013)

A acusação do julgamento de Mizael Bispo de Souza usou o tempo de debate na manhã desta quinta-feira para tentar sensibilizar os jurados. Ao mostrar fotos do corpo de Mércia Nakashima, morta em 2010, a acusação emocionou a família da vítima e fez dois jurados chorarem.

A ideia da acusação foi convencer os jurados de que o ex-policial mentiu no depoimento sobre a morte de sua ex-namorada. A acusação chegou a mostrar também e-mails que o ex-policial trocou com ela.

Ao ler trechos de e-mails no júri, o assistente da acusação, Alexandre de Sá Domingues, tentou apontar as contradições dos depoimentos de Mizael e a real situação do relacionamento dele com a advogada antes de seu assassinato.

“O senhor Mizael vai ganhar um prêmio no final desse julgamento: do mentiroso do ano”, disse o advogado.

Domingues mostrou aos jurados que, ao contrário do que o ex-policial afirma, ele perseguia Mércia, que chegou a trocar os telefones para não ter que falar com o réu.

Além das cartas apresentadas, a acusação leu trecho de depoimento de uma amiga da vítima a quem a advogada confidenciou que o ex-policial tinha muito ciúmes e que não desgrudava dela em momento algum.

Em outro e-mail apresentado no plenário, Mizael elencava 11 situações em que Mércia o magoou. Para o advogado, os pontos mostram como o ex-policial distorcia a realidade e tentava fazer com que a advogada fosse do jeito que ele assim desejava.

Já o promotor Rodrigo Merli Antunes destacou em sua fala que há provas técnicas suficientes que comprovam a presença do réu no local do crime e nas ações que a precederam. “Será que o mundo conspirou contra Mizael no dia 23 de maio, entre 18h37 e 22h12?”, questiona ironicamente o promotor.

Ele retomou a discussão sobre a preservação de uma das principais provas que indicam que o ex-policial esteve na represa em que a advogada foi encontrada morta: a alga.

“Se a alga foi preservada em menos de 25 dias, com 18 dias, o doutor Bicudo poderia fazer a análise em 2011 que ela estaria lá, intacta. Ninguém plantou porcaria nenhuma. Até porque, que interesse se tem em condenar um inocente?”, disse.Edit

Ele também voltou a citar o registro das ligações telefônicas que indica que Mizael não estava em frente ao hospital de Guarulhos quando afirmava estar. “Ele tem dez mil álibis e ninguém nunca vem aqui confirmar a versão dele”, disse.

A primeira parte do debate terminou por volta das 11h30 e a sessão foi interrompida para o almoço. O promotor já adiantou que pedirá réplica após a fala da defesa, que deverá levar uma hora e meia.

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