Agressões contra mulheres ocorrem diariamente em Araguari (Gazeta do Triângulo – 21/02/2015)

A Delegacia de Proteção à Mulher, da 4ª Delegacia Regional de Polícia Civil, não possui números exatos sobre a violência contra as representantes do sexo feminino, porém, de acordo com a delegada Paula Fernanda de Oliveira, ao menos um caso é registrado diariamente em Araguari.

“Estamos falando das agressões denunciadas, uma vez que muitas vítimas não procuram ajuda, temendo o fim do relacionamento ou por conta da dependência econômica,” disse ela à reportagem, acrescentando que se trata de um erro gravíssimo: “quando ocorre o primeiro ato de violência, a vítima deve procurar a delegacia, porque o agressor não vai parar, podendo culminar em algo mais sério”.

No último final de semana, no Conjunto Alvorada, uma mulher foi espancada pelo amásio. Não satisfeito, ele encheu a boca da vítima com pedras. A ocorrência por pouco não se tornou em uma tentativa de homicídio. O autor estava embriagado.

Paula Fernanda observou que na maioria dos casos os criminosos agem impulsionados pelo uso de drogas ou de bebidas alcoólicas. “Todos os dias nós recebemos alguma denúncia dessa natureza, mas, infelizmente, na hora de representar, há mulheres que decidem não seguir em frente e acabam reatando o relacionamento”.

Ainda nesta semana, no bairro de Fátima, uma jovem de 26 anos foi covardemente atacada pelo amásio, 11 anos mais velho. Cansada de tanto apanhar, decidiu dar um basta e acionou a Polícia Militar.

Era madrugada quando a agressão se iniciou, sem qualquer motivo aparente, conforme relato da vítima. Foram socos e pontapés. Não satisfeito, bateu a cabeça da companheira contra a parede, deixando-a desacordada.

A PM apurou que a jovem estava com o rosto machucado e o corpo com hematomas, e sentia muitas dores. Como não quis ser levada ao pronto-socorro, foi orientada a procurar ajuda médica pela manhã. Até o fechamento desta matéria, o autor não tinha aparecido.

As agressões consumadas a mulheres são inclusas na Lei Maria da Penha, a legislação mais avançada no mundo para a prevenção da violência contra a mulher e a punição do agressor. É vitória das mulheres e hoje conhecida por mais de 90% da população brasileira. É duplamente vitoriosa, desde fevereiro passado, quando o Supremo Tribunal Federal decidiu pela sua constitucionalidade e de que as denúncias dos casos de violência podem ser feitas pela mulher ou por qualquer pessoa.

DENTRO DO LAR

Pesquisa de opinião inédita, realizada pelo Data Popular e Instituto Patrícia Galvão, revelou que 7 em cada 10 entrevistados consideram que as mulheres sofrem mais violência dentro de casa do que em espaços públicos, sendo que metade avalia ainda que as mulheres se sentem de fato mais inseguras dentro da própria casa.

Os dados revelam que o problema está presente no cotidiano da maior parte dos brasileiros: entre os entrevistados, de ambos os sexos e todas as classes sociais, 54% conhecem uma mulher que foi agredida por um parceiro e 56% conhecem um homem que agrediu uma parceira. E 69% afirmaram acreditar que a violência contra a mulher não ocorre apenas em famílias pobres.

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