Agressões contra mulheres somaram 2.150 denúncias em 64 dias, em Manaus (D24am – 06/03/2016)

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Para secretária Keyth Bentes, da Sejusc, número mostra que há menos medo de denunciar agressores

As vésperas do Dia Internacional da Mulher, celebrado no dia 8 de março, as agressões física, verbal e moral contra o sexo feminino ainda são comuns em Manaus. O Sistema Integrado de Segurança Pública (Sisp) apontou que, nos primeiros 64 dias deste ano, 2.150 mulheres denunciaram seus agressores à polícia, 33 casos, por dia, em média. Para a secretária executiva de Políticas para Mulheres, Keyth Bentes, da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), um fator a ser comemorado é a mudança da mentalidade feminina que tem abandonado o medo e denunciado, com maior frequência, esse tipo de violência.

A delegada Andrea do Nascimento Pereira, da Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM), destacou que, atualmente, a principal motivação para as agressões físicas e morais contra a mulher, em Manaus, é o ciúme que os homens sentem das parceiras. Os agressores, segundo ela, são, na maior parte das vezes, pessoas comuns que passam despercebidas. “É um homem normal, sempre está com os amigos, trabalhador e que não gera qualquer suspeita de ser alguém violento. O principal motivo da violência doméstica, aqui, na capital, é o ciúme”, disse a delegada. Ela afirma que há, ainda, o agressor que comete os crimes quando está sob o efeito de álcool ou drogas.

Para a delegada Débora Mafra, do anexo da DECCM na zona norte, o agressor tem o perfil de uma pessoa desequilibrada e preconceituosa. “São pessoas com problemas (emocionais) e machistas que não aceitam a opinião e modo de pensar feminino”, destacou Mafra.

Conforme Nascimento, na DECCM, no conjunto Eldorado, tornou-se comum o registro de casos de casais que brigam por conta de redes sociais. “Temos recebido muitas denúncias de mulheres que trocam senhas com os companheiros, durante o relacionamento, a relação acaba e fotos íntimas dessas mulheres são vazadas na internet”, revelou a delegada.

De janeiro até a última sexta-feira, a sede da Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher, no Eldorado, zona centro-sul, já havia registrado 1,5 mil Boletins de Ocorrências (BOs) de violência doméstica, enquanto a DECCM/Anexo, no Cidade de Deus, região norte da capital, recebeu denúncias de 650 mulheres, conforme dados do Sisp. Em 2015, a Polícia Civil (PC) registrou 9 mil BOs de violência doméstica.

Conforme o Sisp, em 2015, 62 mulheres foram assassinadas em Manaus. De janeiro até o último dia 15 de fevereiro deste ano, a polícia havia registrado quatro homicídios contra o sexo feminino.

Rede de proteção

De acordo com a delegada Débora Mafra, a existência de uma rede completa de proteção à mulher vítima de agressão tem motivado o aumento de denúncias. “A sociedade moderna tem modificado o pensamento da vítima que, antigamente, era retraída”, destacou. Ela cita, ainda, como incentivo, a Lei Maria da Penha, que permitiu a resolução de casos com maior celeridade.

O Serviço de Apoio Emergencial à Mulher (Sapem), localizado nas dependências da DECCM, no Eldorado, presta atendimento psicológico e jurídico às mulheres vitimizadas e seus filhos ou em situação de risco. “É um serviço oferecido para a mulher que não tem para onde ir. As vítimas ficam em uma casa-abrigo, até o período de 90 dias”, disse a secretária da Sejusc, Keyth Bentes.

A delegada Débora Mafra ressalta que o Portal da Mulher Amazonense (portaldamulher.am.gov.br) e o aplicativo Alerta Rosa também são ferramentas fundamentais para combater a violência. O programa Ronda Maria da Penha, executado pela PM, também reforça a rede de proteção. Os agressores também podem ser denunciados em qualquer Distrito Integrado de Polícia (DIP), na DECCM, no Parque 10, ou no Anexo, ao lado do 13º DIP, no Cidade de Deus, ou, ainda, pela Linha Direta do programa, (92) 98855-0854, que funciona 24 horas. Além disso, há os telefones 190 do Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops) e 181 da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM).

Thiago Monteiro

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