Alerj promove audiência pública sobre casos de estupro na Rural (O Dia – 12/04/2016)

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Alunas fizeram protesto na universidade para pedir mais segurança no campus de Seropédica

Uma semana após as estudantes protestarem contra os frequentes casos de estupro na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), os parlamentares da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) marcaram uma audiência pública para discutir o assunto, a partir das 10h desta quarta-feira.

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Em nota, a presidente da Comissão de Segurança Pública, a deputada Martha Rocha (PDT), afirmou que “a polícia e a faculdade precisam trabalhar juntas para resolver o problema”. “Os fatos narrados pelas estudantes são extremamente graves. A violência sexual é um crime que deixa marcas no corpo e na alma”, ressaltou a parlamentar.

De acordo com o Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP-RJ), foram registrados 28 casos de estupro na 48ª DP (Seropédica), no ano passado. Já os dois primeiros meses deste ano foram dois casos. O mais recente deles teria ocorrido em fevereiro, durante uma festa no campus de Seropédica, na Baixada Fluminense.

Alunas protestaram contra casos de estupros na Rural, na semana passada (Foto: Reprodução Facebook)

Alunas protestaram contra casos de estupros na Rural, na semana passada (Foto: Reprodução Facebook)

Alunas fazem protesto no campus

Para chamar atenção para o problema, as jovens fizeram um ato no prédio principal, na segunda-feira da semana passada. Além do protesto, as mulheres também já picharam diversos muros, ruas e orelhões da faculdade para relatar os casos de abuso, com as frases “Universidade omissa”, “Machistas não passarão”, “Mulheres em luta”.

Elas ainda fazem mobilizações na internet por meio de páginas que reúnem relatos de meninas que sofreram abusos sexuais, como a “Abusos Cotidianos – UFRRJ”, e pela hashtag “#meavisaquandochegar”. Nas páginas pessoais do Facebook, as jovens colocaram a frase “Quantas terão que sofrer abusos para a reitoria tomar uma atitude?”.

Outra reclamação é sobre a falta de iluminação no campus. Segundo as alunas, elas precisam percorrer longos caminhos no escuro, o que aumenta o medo de sofrer algum tipo de assédio ou até mesmo um assalto. A preocupação é maior ainda para quem sai das aulas no turno da noite, por volta das 22h. Alguns estudantes precisam chegar até os alojamentos e outros vão para bairros próximos.

Universidade admite problemas na segurança

Em nota divulgada no site, a universidade admitiu que existem problemas de segurança no campus de Seropédica. Em relação às denúncias de violência contra mulheres, a faculdade afirmou que os integrantes da Administração Central da UFRRJ repudiam “qualquer ato de violência ou preconceito contra integrantes ou não integrantes da comunidade universitária nos espaços institucionais”. A universidade disse ainda que a violência sexual não pode ser tolerada e deve “ser apurada com todo o rigor necessário, no âmbito das esferas policiais e administrativas”.

“O aumento da ocorrência de casos de violência contra a mulher no interior das universidades brasileiras é uma dura realidade que precisa ser enfrentada pelo conjunto das instituições e pela UFRRJ. O ponto de partida passa, primeiramente, pelo reconhecimento do problema e, posteriormente, pela discussão e proposição de políticas institucionais para a sua solução”, disse em nota.

Além disso, os representantes da direção da Rural afirmaram que “consideram legítimas todas as manifestações de indignação da comunidade universitária, em especial a estudantil, sobre quaisquer atos de violência contra a mulher em seus campus e se colocam à disposição para o diálogo em busca de soluções conjuntas”.

A universidade destacou anda que o vice-reitor, Eduardo Mendes Callado, “prestou todo apoio necessário à vítima” que sofreu o abuso em fevereiro, acompanhou até a delegacia e o Instituto Médico Legal (IML) para exame de corpo de delito. “A Administração Central se mostra solidária às vítimas e registra um pedido de desculpas em relação a outro caso de violência, ocorrido em 2015, ao inadequado acompanhamento do mesmo”, completou.

Gabriela Mattos

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