Alunos da UFRJ relatam assaltos, furtos e tentativa de estupro no Fundão (O Dia – 02/02/2016)

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Mesmo com segurança da PM, de agentes particulares da universidade e instalação de câmeras, índices de crimes não caiu na universidade

Alunos, professores e funcionários da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) têm sofrido com a violência no campus do Fundão, na Ilha do Governador. Com uma área de mais de 4,3 milhões de metros quadrados, resultado do aterro de nove ilhotas da Baía de Guanabara, o Fundão é cercado por vias expressas e comunidades – como a Favela da Maré.

Relatos mostram que a violência no campus cresceu nos últimos meses. De acordo com o estudante de Engenharia de Bioprocessos, Luiz Henrique Costa Rodrigues, de 21 anos, na última terça-feira ele, que estuda durante todo o dia na Escola de Química da UFRJ, voltava para o estacionamento por volta das 21h, quando foi informado por policiais militares que um homem havia arrombado seu carro e levado alguns pertences.

Segundo Luiz Henrique, o crime teria acontecido por voltas das 15h daquele dia. Por sorte, o assaltante foi preso. “É muito comum a gente ficar sabendo de crimes no campus. No mesmo dia que quebraram o meu carro, eu fiquei sabendo que o carro de um outro estudante, do bloco A do Centro de Tecnologia, foi assaltado e levaram o estepe, uma roda e o som”, contou.

O jovem afirmou que mesmo com a segurança do local, a ousadia dos bandidos é grande. “Mesmo como os guardas, eles entram e roubam pedestres, motoristas, levam tudo, na cara de pau”, finalizou.

Além disso, criminosos estariam fazendo arrastões em ônibus que circulam dentro da universidade.

Na tarde de sexta-feira, uma estudante francesa, que está no país fazendo intercâmbio, contou que foi assaltada e quase estuprada, no estacionamento do Bloco A, da UFRJ. Segundo a mulher, ela caminhava para o local onde seu carro estava estacionado quando um homem a abordou. De acordo com ela, o bandido teria a obrigou entrar no carro. “Ele repetia, perdeu, perdeu. Eu não entendi, já que não sou brasileira. O cara levou a minha bolsa com carteira e todos os meus documentos. Ele só não me estuprou porque vinha um grupo de jovens, e quando eles aproximaram do meu do meu carro e ele saiu correndo assustado”, relatou. “Estou muito assustada e com raiva. Não esperava passar por uma decepção, como essa, em meu intercâmbio”, contou.

Em 2007 a Divisão de Segurança da UFRJ ganhou um prédio na ilha para identificar e registrar ocorrências e divulgar estatísticas de roubos e assaltos nos campi. Já em 2013, uma estratégia de segurança foi montada pelo 17º BPM (Ilha do Governador) para reduzir problemas de segurança na Cidade Universitária. Uma das ações foi o fechamento do Portão 4, que dá acesso à Linha Vermelha. Na ocasião, foi intensificadas as rondas de guardas de bicicletas, que atuam em área federal — onde a Polícia Militar não pode entrar.

A equipe do DIA percorreu neste domingo todo o Campus do Fundão e encontrou apenas uma viatura com dois policiais militares, estacionada em frente a Ponte do Saber.

O outro lado

A reportagem procurou a reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que em nota afirmou que, 14 funcionários contratados pela Coordenação de Segurança da Prefeitura da UFRJ (Diseg) e outros 844 vigilantes terceirizados fazem a segurança do campus do Fundão durante 24 horas por dia. Segundo a instituição essa vigilância é feita em turnos.

Ainda segundo o órgão, a instituição é monitorada 24 horas por um sistema de câmeras que abrangem 80% do território da Cidade Universitária. Segundo o comunicado, “embora os integrantes da Diseg tenham sido selecionados também para fazer a segurança patrimonial, eles acabaram fazendo também o patrulhamento nas vias de conexão entre os centros acadêmicos”. Ainda de acordo com a nota, o objetivo da universidade é ensinar e não fazer a segurança pública. O pronunciamento termina dizendo que “o patrulhamento das vias públicas da Cidade Universitária cabe ao 17º BPM (Ilha do governador) e as investigações sobre crimes são de competência da 37ª DP (Ilha). Furtos de patrimônio são apurados pela Polícia Federal”.

A Polícia Militar também foi procurar para informar sobre o patrulhamento que é feito na universidade. Segundo o comando do 17º BPM (Ilha do Governador), agentes fazem diariamente “patrulhamento na Ilha do Fundão com quatro viaturas: uma fechando a Ponte do Saber e outra, no acesso a Linha Amarela”. Segundo o comunicado, “a PM também emprega mais duas viaturas atuando diretamente nas manchas criminais”. A polícia informou “que o Serviço Reservado do 17º BPM atua no Campus realizando operações de inteligência”. A Polícia Militar foi questionada sobre o número de policiais que atuam dentro da instituição, mas limitou-se a dizer que “não divulga número de policiais por uma questão de estratégia”. A PM finalizou afirmando que no mês de janeiro registrou, apenas, 12 ocorrências de roubo e duas prisões na Cidade Universitária.

A Polícia Civil, por telefone, informou que não sabe precisar o número de ocorrências registradas — casos de roubos, assaltos e furtos dentro do campus do Fundão — , já que as vítimas podem registras os boletins de ocorrência na 37ª DP (Ilha do Governador) ou em 21ª DP (Bonsucesso).

Reportagem do estagiário Rafael Nascimento

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