Amapá já registrou quase 100 casos de estupros em mulheres neste ano (Jornal do Dia – 09/12/2014)

Casos de estupros ainda estão entre os principais crimes cometidos no Brasil, segundo estudos recentes segundo dados do 8º Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgado em novembro pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. No ano de 2013, mais de 50 mil casos foram registrados pela polícia em todo país.

Este número representa uma alta em comparação com os dados de 2012, que registrou 50.224 casos deste tipo no País. O número de tentativas de estupro também teve alta, passando de 5.882, em 2012, para 5.931 no ano passado. Há uma estimativa de que apenas 35% das vítimas deste crime registram o episódio às polícias, segundo um levantamento internacional. Se aplicado à realidade brasileira, o total de casos de estupro no País pode chegar a 143 mil.

No Amapá, diversos casos tem chamado a atenção da mídia e dos órgãos de segurança pública, que apontam altos índices da violência no Estado. Segundo Dados da Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher (DECCM), em 2013, 108 mulheres foram estupradas no Estado, número que é considerado um dos maiores registros na delegacia, de acordo com a delegada titular Vilani Feitosa.

De janeiro a novembro de 2014, 93 mulheres foram vítimas de estupro no Amapá, segundo levantamento feito pela Delegacia. A titular afirma que o número é considerado alto em relação e foi obtido com base nas denúncias feitas à delegacia. “É um número que não para de crescer. Acreditamos que seja maior porque em muitos casos a vítima não chega até nós”, lembrou.

Cerca de 80% desses casos estão relacionadas à violência doméstica, mas reforça que o registro pode ser maior em razão das vítimas não fazerem a denúncia à polícia. “São crimes cometidos dentro de casa pelo marido e até mesmo pelo irmão ou pai desta mulher”, alertou a delegada.

Entre os mais de sete mil boletins registrados envolvendo mulheres como vítimas, 541 se tornaram processos criminais na Justiça do Amapá e 1.103 mulheres ganharam medidas protetivas de urgência até novembro. Em 2013, a delegacia atendeu 9.797 denúncias entre roubos, difamação, tentativa de homicídio e lesão corporal.

Motoqueiros

Elza afirma que desde o ano passado, os dados apontam que muitos estupros são cometidos por homens que conduzem motocicletas, sejam como mototaxis clandestinos ou quando estão praticando assaltos. A maioria das vítimas possui a faixa etária de 20 a 30 anos e estavam sozinhas durante a abordagem. Na semana passada, o mototaxista José Ferreira de Lima foi conduzido ao Instituto Penitenciário do Amapá (IAPEN), após ser preso por uma Guarnição da PM do 2º Batalhão, comandada pelo SGT F. Queiroz, logo após, ele estuprar uma adolescente de 13 anos. A jovem afirmou aos policiais, que foi levada para uma área de mata, no ramal do Paricá, localizado no Sol Nascente, e forçada a manter relações sexuais com o referido mototaxista. “Muitos criminosos abordam as vitimas, desviam do caminho, no caso de mototaxis clandestinos. Muitos agem sozinhos ou em dupla, especialmente durante os fins de semana ou período noturno. Em 2013 também houve casos de elementos que invadiram as residências, roubaram e estupraram as mulheres que residiam nas casas”, afirma.

O que fazer em caso de estupro

Vá até a Delegacia da Mulher, que funciona 24 horas e relate o ocorrido. Você será orientada sobre o que fazer. Você poderá obter informações também pelo telefone: (96)2101-2751.

Em caso de estupro não jogue as roupas fora, traga-as para a Delegacia da Mulher quando vier fazer a denúncia. Se for o caso, você será encaminhada para atendimento hospitalar conveniado. Quando o autor da agressão for desconhecido procure guardar a aparência física, das roupas ou de outros detalhes que ajudem a identificá-lo.

Se puder, no momento da denúncia, traga seus documentos pessoais e endereço completo. Se possível o nome e endereço do autor do delito.

Prevenção é melhor que agressão

Evite andar sozinha por ruas poucos iluminadas e/ou movimentadas. Geralmente as agressões ocorrem nos ambientes familiares. Procure ajuda para a solução de seus problemas, antes que se tornem insuportáveis.

Vale lembrar que os estupros em família não ocorrem repentinamente. Fique atenta(o) ao comportamento de pais, companheiros, parentes e vizinhos, evitando o assédio que pode incorrer em violência sexual. Crianças e adolescentes molestados devem avisar uma pessoa de confiança para a tomada de providências.

Existem diversos serviços públicos e privados de ajuda a população, tais como Conselho Tutelar, Defensoria Pública, Serviços de Psicoterapia e outros que podem ajudá-la. Informe-se sobre eles na Delegacia da Mulher. Não espere que uma agressão ou estupro aconteça com você. Procure imediatamente a Delegacia da Mulher.

Informações importantes

A atuação da Delegacia da Mulher, em favor da mulher, tem limites legais, portanto, se ocorrer qualquer tipo de agressão a denúncia deve ser a mais imediata possível, no sentido de evitar a perda de evidências que comprovem o crime.

Por exemplo: Se houve agressão física ou estupro é importante o exame no Instituto Médico Legal. Esse exame só pode ser feito com guia expedida por autoridade policial.

Os crimes prescrevem. Situações antigas de agressão tornam-se difíceis de comprovar. Desta forma as punições ao autor, previstas em leis, são difíceis de serem aplicadas. Quando um processo é aberto contra o autor de crime contra a mulher, torna-se difícil voltar atrás, logo, deve-se ter certeza, no momento da denúncia, sobre a verdade dos fatos e informar-se sobre os encaminhamentos do processo, evitando desta forma falsa comunicação de crime ou arrependimento futuro.

Na Delegacia da Mulher todas as informações prestadas são sigilosas e os sofrimentos enfrentados pelas vítimas são respeitados. Todas as providências necessárias de auxílio à mulher são tomadas, para a mais breve solução das denúncias.

Jéssica Alves

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