Araraquara busca alternativas para conter casos de violência doméstica (Cidade On – 13/04/2018)

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Em 30 dias três mulheres foram assassinadas por homens

Em apenas um mês, ou nos últimos 30 dias, Araraquara registrou três feminicídios, crimes hediondos praticados por homens contra mulheres com características de ódio e violência doméstica. Este tipo de crime faz milhares de vítimas femininas no Brasil a cada ano, segundo estatísticas.

O Centro de Referência da Mulher de Araraquara e a Secretaria Municipal de Educação lançaram o programa Laço Branco, direcionado a homens a partir dos 13 anos, ou na fase inicial da adolescência. “Queremos ouvi-los e criar uma perspectiva de que para ser homem não é preciso ser violento, pode ser gentil. Porque acreditamos que até para o homem seja uma situação difícil este momento, porque ele é cobrado pela sociedade para ser machista”, afirmou a coordenadora executiva de Políticas para Mulheres, Amanda Vizoná.

Para ela, uma das formas de reverter a situação é o diálogo profundo e permanente com as crianças, para que todos entendam que homens e mulheres devem ser tratados da mesma maneira, com igualdade, para se acabar com a violência.

“A gente atribui esse comportamento agressivo por conta dessa cultura machista, que durante séculos fez com que um homem se sentisse um ser superior à mulher, dono do corpo dela”, completa Amanda.

O Centro de Referência da Mulher, instalado na Rua Pedro Morgante (Rua 13), 2231, atende de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h30, além do plantão 24 horas, através do telefone 9.9762-0697.

Crimes hediondos 

Os três últimos feminicídios registrados em Araraquara envolveram uma menor de 14 anos, morta após ser agredida pelo tio; outra mulher de 32 anos, vítima do ex-namorado; além de uma moradora em situação de rua, de 44 anos, atingida por um autor até então desconhecido pela polícia. Nos dois últimos casos, os crimes foram praticados com facas.

Segundo Amanda Vizoná, o feminicídio é considerado um crime hediondo, o que faz aumentar a pena do praticante. E o tempo de prisão pode ser ainda maior em caso de cometido em frente aos filhos, pais ou outros familiares; se a vítima estiver grávida; for menor de idade ou ter acima de 65 anos.

Nos dois primeiros casos de Araraquara, os crimes devem ter penas aumentadas para seus autores por se enquadrarem nas situações expostas.

Mais força 

“O empoderamento da mulher, que resultou na promulgação da Lei do Feminicídio e Lei Maria da Penha (esta há 11 anos) e ações dos órgãos municipais, além da mídia agora dar mais ênfase à questão, favorecem a mulher a denunciar os casos de violência”, afirmou Amanda.

Segundo ela, o feminicídio é caracterizado quando há uma relação entre o criminoso e a vítima, ou quando o crime é por motivo de ódio pela condição do ser mulher como nos casos de estupro seguidos de morte. “Mas a gente sabe que 70% dos casos envolvem pessoas próximas”, ressaltou.

Banalização 

Ainda segundo a coordenadora de Políticas para Mulheres, a banalização da violência contra a mulher também é consequência da cultura de que a mulher é sempre a culpada por toda situação.

“Já atendemos casos de mulheres agredidas em casa só porque ao invés de fritar ela cozinhou a carne para o companheiro. Em outro caso, porque o time dele perdeu num jogo, ou seja, ambos os casos por questões banais”, disse.

Outra ferramenta 

Vale destacar que em novembro de 2017, a Prefeitura também lançou uma campanha digital sobre o Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher, lembrado em 25 de novembro. A ação aconteceu no Facebook da Prefeitura numa parceria entre a Secretaria Municipal de Comunicação e a Secretaria Municipal de Planejamento e Participação Popular, por meio da Coordenadoria Executiva de Políticas Públicas para Mulheres, divulgando a rede de proteção à mulher e informando sobre os caminhos para o registro da denúncia.

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