Audiência cobra humanização no atendimento às mulheres no interior (G1/Acre – 08/03/2014)

Comunidade também participou de audiência pública em Cruzeiro do Sul (Foto: Genival Moura/G1)

Comunidade também participou de audiência pública em Cruzeiro do Sul (Foto: Genival Moura/G1)

O Núcleo de Violência Doméstica da Promotoria de Justiça de Cruzeiro do Sul (AC) promoveu, em parceria com a Rede Reviver, que atua no combate à violência sexual e doméstica no município, uma audiência pública com a finalidade de discutir a falta de humanização no serviço público, sobretudo, no que diz respeito ao atendimento as mulheres. A ação, realizada nesta sexta-feira (7), no Teatro dos Náuas, faz parte das comemorações em alusão ao Dia Internacional da Mulher, comemorado neste sábado (8).

Com uma plateia formada por líderes comunitários, estudantes, donas de casa e representantes de movimentos que atuam no combate e prevenção à violência doméstica, os palestrantes e usuárias do serviço público debateram os principais pontos sobre a falta de humanização das instituições para atender o público feminino, principalmente mulheres vítimas de violência doméstica e sexual.

“Não temos em Cruzeiro do Sul uma rede que envolva a área jurídica, social e de saúde, que faça um trabalho compartilhado, onde a vítima não precise repetir a história em todo lugar para diversos profissionais. Essas vítimas se deparam com profissionais da área de saúde e outras áreas que sequer tem o conhecimento das leis que garantem sua proteção, tornando a vítima ainda mais vítima”, ressaltou Milkca Santos, coordenadora do Projeto Vida Nova que acolhe crianças e adolescentes vítimas de violência.

O maior número de reclamações durante a audiência foi com relação à falta de estrutura e humanização no serviço de saúde para o atendimento às mulheres. A estudante Jaqueline Oliveira Silva, de 17 anos, ainda não é mãe, mas demonstrou preocupação com o atendimento prestado na maternidade de Cruzeiro do Sul.

“Não me atinge ainda, mas preocupa, porque muitas grávidas têm entrado na maternidade e saído com o filho morto, por causa de profissionais despreparados. Isso também é uma forma de violência”, alertou.

Segundo o promotor de justiça, Iverson Bueno, coordenador do Núcleo de Violência Doméstica da Promotoria de Justiça de Cruzeiro do Sul, a ideia da audiência pública surgiu a partir do número de reclamações que têm chegado ao Ministério Público e a outras instituições relatando a falta de humanização. “Reclamam da penitenciária sobre superlotação e a forma de revista das visitantes, reclamam da delegacia, mas as principais queixas são referentes ao atendimento na área de saúde. Vamos encaminhar as demandas aos setores competentes da área cível e criminal e fazer reuniões com os órgãos responsáveis por esse mau atendimento, vamos ver o que pode ser melhorado, e até ajuizar ações se forem necessárias”, concluiu o promotor.

Genival Moura

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