Aulão na UNB marca o Dia pela Eliminação da Violência contra as Mulheres (Correio Braziliense – 26/04/2016)

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Criada por iniciativa de órgão da ONU, a data será celebrada no dia 25 de cada mês

Ericamar Guedes de Souza, 27 anos, foi assassinada há seis dias, dentro de casa, no Itapoã. Ela estava grávida e é uma das cinco mulheres mortas desde janeiro no DF por companheiros ou ex-namorados. A partir de agora, a luta contra esse tipo de caso terá uma data para ser lembrada e discutida. O 25 de cada mês será o Dia pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, uma iniciativa da ONU Mulheres. Serão 24 horas de debates e ações voltadas para a mobilização contra o desrespeito ao gênero, o machismo e a misoginia: o Dia Laranja.

Ontem, deu-se a largada do projeto, em parceria com a Universidade de Brasília (UnB). Em um mês, a Coordenação de Direito das Mulheres da UnB registrou sete situações de violência no câmpus. O começo da ação no DF ocorreu com uma aula pública no Centro de Convivência Multicultural dos Povos Indígenas da UnB (Maloca), com a presença de professores, representantes da ONU Mulheres, alunos e interessados no assunto. A intenção é evitar episódios como o de Ericamar e de Louise Ribeiro, 20 anos, assassinada no Laboratório de Biologia da UnB (leia Memória) pelo ex-namorado.

A coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre a Mulher da UnB, professora Lourdes Bandeira, afirma que o comportamento masculino, na quase maioria dos casos, trata de algo comum e tolerável no século 17. Segundo ela, naquela época, a mulher que trocava o parceiro por outro ou que trazia sobre ela a suspeita de adultério poderia ser justificadamente morta. “A morte da Ângela Diniz (pelo companheiro, Raul, o Doca Street, em dezembro de 1976, após uma briga na casa de veraneio da vítima, em Búzios) foi importante para começar a desestruturar o crime pela honra. A justificativa foi de que ela não desempenhava mais o papel de esposa. Logo depois, criou-se o slogan ‘Quem ama não mata’. Isso tomou grandes proporções, notoriedade, foi bandeira da luta das mulheres contra a violência dos parceiros; e foi fundamental”, disse.

Uma das primeiras medidas da parceria da ONU Mulheres com a UnB será a formulação de uma pesquisa da universidade para mapear como a violência acontece dentro do câmpus. Para a coordenadora da ONU, Amanda Kamanchek, o resultado dessa amostragem será essencial para políticas pontuais na universidade. A previsão é de que o estudo seja divulgado no começo do próximo ano. “As universidades precisam de apoio técnico, porque foi revelado que havia muita violência dentro desse universo”, observou Amanda.

Um dos casos recentes de violência registrados pela Coordenação de Direito das Mulheres da UnB é o de um homem acusado de assédio. Ele acabou expulso do Câmpus Darcy Ribeiro, na Asa Norte. Além disso, no primeiro domingo do mês, durante a participação nos Jogos InterCalouros, a bateria da Atlética Maquinada, grupo da Associação Atlética Acadêmica das Engenharias da UnB, foi acusada de desrespeito à mulher e apologia ao estupro. A Polícia Civil também investiga a denúncia. “Muitas mulheres têm medo. Como denunciar um professor, por exemplo? Quem vai defender? Então, estamos aqui para fazer esse braço das alunas e articular com outros órgãos, como a Ouvidoria da UnB, até a formalização dessa violência”, explicou a coordenadora de Direito das Mulheres da UnB, Sílvia Bandim.

A coordenação fará, ainda, debates, relatórios, palestras e ações específicas para combate e prevenção — o telefone para denúncias é o 3107-3436. Uma pesquisa do Instituto Avon/Data Popular realizada com 1.823 universitários de todo o país, em setembro e outubro do ano passado, mostrou que 46% das mulheres têm medo de sofrer violência no ambiente universitário. Além disso, muitas são humilhadas, xingadas ou ofendidas (52%); assediadas sexualmente (56%); ou até violentadas (28%).

» Colaborou Nathália Cardim

Para saber mais

Esforço mundial
O Dia Laranja pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, celebrado todo dia 25, ressalta o compromisso mundial de adoção da Agenda pelo Desenvolvimento Sustentável 2030. O documento reconhece que a igualdade de gênero, o empoderamento das mulheres e a eliminação da violência contra elas são centrais para o desenvolvimento sustentável. Esse dia marca o comprometimento de cerca de 193 líderes mundiais com 17 metas globais para os próximos 15 anos. A proposta da ONU Mulheres é que o governo e as instituições adotem a agenda sustentável, propondo ações concretas e financiamento adequado para o cumprimento dos objetivos. O de número 5 é “Alcançar a igualdade de gênero por meio do fortalecimento das mulheres e meninas”. Além disso, outros 12 objetivos de desenvolvimento sustentável incorporam, transversalmente, metas de igualdade de gênero.

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Camila Costa

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