Aumenta número de denúncias de violência contra a mulher no Estado do Amazonas (A Crítica – 10/07/2016)

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Mensalmente 500 novos casos chegam à 1ª Vara Maria da Penha. No total, são 17 mil processos de violência contra as mulheres. No primeiro semestre deste ano, já passam dos 5 mil casos registrados na DECCM

A decisão da modelo Luiza Brunet em denunciar publicamente a agressão praticada pelo seu ex-namorado, o empresário Lírio Albino Parisotto, incentivou as mulheres manauenses de classes socais mais elevadas, que sofrem violência doméstica em seus lares, a denunciarem seus agressores. A informação foi repassada à reportagem pela titular da Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher (DECCM), Andréa Nascimento.

“A denúncia feita por Brunet prova que a violência contra as mulheres está em todas as classes sociais, não se resume às classes mais baixas. Eu costumo dizer que a violência doméstica está em todas as classes sociais, mas são as mulheres de baixa renda que mais procuram a delegacia para denunciar seus agressores”, disse a delegada.

Delegada Andréa Nascimento disse que o alcoolismo e o machismo são as causas da violência doméstica / Foto: Winnetou Almeida

Delegada Andréa Nascimento disse que o alcoolismo e o machismo são as causas da violência doméstica / Foto: Winnetou Almeida

De acordo com a delegada, antes elas buscavam outros recursos por medo, por vergonha e até para se preservar. Na maioria das vezes, essas mulheres procuram advogados e conseguem resolver os casos, sem passar por uma delegacia. Já a de baixa renda quando vem a uma delegacia conta tudo e pede ajuda.

De acordo com a delegada, só no primeiro semestre deste ano, o número de mulheres vítimas de violência doméstica que foram a DECCM denunciar seus agressores, já passam de 5 mil. Para a delegada, a Lei Maria da Penha, que neste ano completa dez anos e foi promulgada, trouxe segurança para as vítimas de violência doméstica.

A delegada aponta como principais motivações, entre outras, a cultura machista e o alcoolismo. Segundo ela, o machismo ainda é muito forte e leva os homens a acreditarem que são normais diversos comportamentos de vigilância e de agressividade com as parceiras. Ela informa ainda que há quem diga, até mesmo mulheres, que alguém mereceu apanhar ou ser estuprada.

A delegada explica que quando a agressão não é denunciada a mulher passa a vivenciar um ciclo de violência doméstica. “Às vezes se passavam até dez anos para denunciar. Isso ocorre porque o agressor não é violento o tempo todo; ele tem momentos de violência em que ele passa a controlar a mulher, o que ela faz e o que deixe de fazer”.

Lesão, ameaça e injúria são a maioria

A titular da 1ª Vara Maria da Penha, a juíza Ana Lorena Teixeira Gazzineo, disse que mensalmente chegam 500 novos processos na vara e que atualmente há dez em andamento, e sete na 2ª Vara totalizando 17 mil processos de violência contra a mulher. “Em razão das políticas públicas o numero de denúncias aumentaram e o estado precisa se aparelhar para atender a demanda”, disse.

Ainda de acordo com a magistrada, quando uma mulher chega a denunciar o agressor, é porque ela já sofreu várias violências e às vezes se sentem desprotegidas em seu próprio lar. Os casos mais frequentes de agressões são as de lesão, ameaça, injúria e difamação.

Conforme Ana Lorena, mais de 90% das agressões começam com a ingestão de bebida alcoólica, que é o principal motivador de o homem ficar mais violento. O machismo é outro motivo de agressão e é mais frequente do que se imagina.

Joana Queiroz
Manaus (AM)

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