Aumento de estupros é sazonal, diz polícia (Repórter Diário – 26/06/2015)

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O aumento do número de estupros no ABC, noticiado nesta sexta-feira pelo RD com base nas estatísticas da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, não representa uma tendência generalizada, segundo representantes da polícia civil. De acordo com Márcio Antônio Pereira Macedo, delegado do 5º DP de Santo André, e Valdomiro Gerbal Neto, do 8º DP de São Bernardo, os crimes de violência sexual são sazonais, e por isso o cenário encontrado em maio não deve se repetir em junho.

O 5º DP andreense foi o distrito a receber três casos de estupro, um dos maiores índices da cidade. “Mas os dados devem ser vistos com parcimônia”, diz Macedo. “No 1º DP e no 2º DP tivemos dois agressores presos, um deles ainda espera identificação da vítima”. O delegado relata que neste mês o 5º DP ainda não teve nenhum registro. “Acredito que seja reflexo do trabalho que fizemos na investigação e detenção das agressões”, opina.

O delegado afirma que os casos de estupro têm picos durante a atuação dos chamados “maníacos”, apesar dos casos do 5º DP não configurarem crimes em série. A dificuldade de identificação dos agressores é um problema para o andamento das investigações. “As vítimas ficam muito fragilizadas, mas precisamos muito do auxílio delas para o reconhecimento dos criminosos”, diz. De acordo com o delegado, a polícia age em parceria com a Coordenadoria Estadual dos Conselhos Comunitários (Conseg) para informar às comunidades as medidas de segurança que podem ser adotadas. “Recomendamos especialmente que as mulheres evitem andar sozinhas, que prestem atenção em movimentações suspeitas e busquem abrigo caso alguma coisa aconteça”, esclarece Macedo.

No ponto de vista de Gerbal Neto, entretanto, tais medidas não são válidas. “Como é que vamos dizer para alguém não andar sozinha? Não existe ação preventiva, o que a polícia pode fazer é investigar o caso depois que ele ocorre”, opina. O 8º DP de São Bernardo registrou quatro casos de estupro, e a cidade foi, pelo segundo mês consecutivo, a que mais sofreu com violência sexual, num total de 11 ocorrências. Quando questionado se o aumento representaria um maior número de denúncias e não um aumento real de atos de agressão sexual, Gerbal Neto fica com a segunda opção.

Violência doméstica

Segundo Gerbal Neto, os casos registrados no distrito foram praticados, em sua maioria, por familiares das vítimas, como maridos e padrastos. “Quando os crimes ocorrem depois de um assalto, por exemplo, aí ele se torna prioridade nas investigações”, diz. O delegado acredita que o caráter sazonal dos crimes sexuais se dá pela intolerância da sociedade a esse tipo de violação. “A pessoa não tem orgulho de dizer que cometeu estupro porque fica estigmatizada. O estuprador, quando é preso, precisa ficar até em cela separada. Esse é um tipo de crime totalmente condenável”, ressalva.

O delegado assegura, porém, que a polícia civil tem função de policiar as vias para garantir a segurança das comunidades, mas seu papel primordial não é preventivo. “Temos estipulado que 75% do trabalho da polícia seja investigar, e 25% prevenir. A prevenção cabe à Polícia Militar”, diz.

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