Autonomia financeira ajuda mulheres a superar violência doméstica na PB (G1/Paraíba – 16/02/2015)

Pesquisa diz que segurança é fundamental para romper com o agressor. Renda garante moradia, alimentação e sobrevivência das mulheres

Profissionalização ajuda também a melhorar a autoestima das mulheres e deixá-las mais seguras para romper com o ciclo de agressão (Foto: Acervo/Cunhã Coletivo Feminista)

Profissionalização ajuda também a melhorar a autoestima das mulheres e deixá-las mais seguras para romper com o ciclo de agressão (Foto: Acervo/Cunhã Coletivo Feminista)

 

A autonomia financeira é um dos principais fatores que ajudam as mulheres vítimas de violência doméstica a romper com o ciclo de agressão, segundo um estudo feito na Paraíba pelo Cunhã Coletivo Feminista. A pesquisa qualitativa, feita com mulheres de Campina Grande e João Pessoa, mostrou que as vítimas de violência se sentem mais seguras para deixar a relação com o agressor quando têm uma profissão que garanta uma renda para sobrevivência.

De acordo com Anadilza Maria Paiva, coordenadora do eixo de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher do Cunhã, antes da autonomia, as mulheres apontam a segurança como ponto crucial para o rompimento. “Acompanhamos mulheres que estão em processo de rompimento e outras que já romperam com o ciclo e todas elas relatam que primeiro precisam garantir a segurança delas e dos filhos, pois sentem medo de morrer e de sofrer ameaça dos agressores. Em seguida elas falam que a autonomia econômica é fundamental para garantir moradia, alimentação e outros fatores”, disse.

O levantamento mostrou que na maioria dos casos registrados de violência doméstica, o agressor é o companheiro ou ex-companheiro das vítimas, mas também existem registros de casos em que o pai ou irmãos das mulheres são os responsáveis pela agressão. “Apesar de muitas vítimas relatarem ser alvos de um ou de vários tipos de violência, seja física, psicológica, moral, sexual e patrimonial, os danos psicológicos são os mais marcantes. A pior dor é a dor emocional de descobrir que a pessoa que você ama e que diz te ama é a mesma que quer te matar”, explicou Anadilza.

A coordenadora também explica que a violência doméstica contra as mulheres define o que é a violência de gênero. Segundo Anadilza, as mulheres também são vítimas de assaltos, acidentes, de violência urbana em geral, mas diferente dos homens, as pessoas do sexo feminino são agredidas apenas por serem mulheres. “As mulheres que entrevistamos relatam que muitas vezes são agredidas pois os companheiros ou familiares acham que elas são posses deles, e que se fizerem algo diferente do que eles pensam ou ‘deixam fazer’, acabam apanhando ou até mesmo algo pior”, comentou.

As mulheres vítimas de violência doméstica também foram tema de um trabalho feito por estudantes do 3º período do curso de direito da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Segundo a estudante Beatriz Mendes, o grupo dela conversou com mulheres que se encontram nesta situação e resolveu escrever uma carta aberta para a Secretaria de Estado da Mulher e da Diversidade Humana (Semdh) com a sugestão de uma parceria que pode ajudar as mulheres a conquistar autonomia financeira.

“A carta tem como base o terceiro artigo da Lei Maria da Penha que fala sobre os direitos que devem ser assegurados às mulheres. Através da carta, visamos potencializar o acesso das vítimas de violência ao direito à educação e ao trabalho”, diz Beatriz.

No documento, as estudantes sugerem uma parceria entre os órgãos da rede de assistência às mulheres, empresas que realizam cursos profissionalizantes e o Sistema Nacional de Emprego (Sine). “A ideia é fazer com que as mulheres possam se profissionalizar e logo em seguida conseguir uma oportunidade de emprego. Assim conquistada a independência, tais mulheres estariam mais confiantes e motivadas a sair dessa situação degradante”, completou a estudante.

A secretária de Estado da Mulher e da Diversidade Humana, Gilberta Santos Soares, explica que o órgão já tem parcerias com serviços de aprendizagem do comércio e da indústria. “Nós encaminhamos as mulheres que fazem parte da rede de acompanhamento e elas fazem cursos profissionalizantes nestes locais. Também buscamos a inserção destas mulheres no mercado de trabalho e incentivamos a produção autônoma e coletiva através de parcerias com programas que oferecem linhas de crédito especiais para as produtoras”, disse.

Gilberta também explica que a secretaria oferece apoio psicossocial para as mulheres vítimas de violência na Paraíba. “É importante saber que a autonomia financeira, apesar de fundamental, não funciona sozinha. Estas mulheres precisam também ter uma autonomia emocional para romper com as amarras culturais e sociais que existem na nossa sociedade, por isso é essencial que seja feito um trabalho que objetive aumentar a autoestima e o poder de decisão das mulheres”, concluiu a secretária.

Diogo Almeida

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