Banco de DNA de estupradores (Folha PE – 17/09/2016)

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A partir de agora, todos os suspeitos de crimes sexuais terão material biológico coletados

Todos os suspeitos de crimes sexuais presos devem ter material biológico, a exemplo de cabelo ou saliva, coletados por agentes da segurança pública. Com isso, a Polícia Civil e a Polícia Científica de Pernambuco querem segmentar um banco de DNA de estupradores no Estado, para que possa ser acessado mais facilmente pelos investigadores. Atualmente, o Laboratório de Perícia e Pesquisa em Genética Forense, que iniciou as atividades no ano passado, já conta com um acervo genético de criminosos de diversos atos ilícitos. São detentos que já estavam no sistema prisional há algum tempo. Agora, a iniciativa pretende ampliar o banco, agrupando os perfis de abusadores e ajudando na elucidação de casos em série.

“Para todos os casos de violência sexual está sendo solicitado, a quem fizer a prisão, que o preso seja encaminhado para ser coletado material biológico. Isso serve para comparação de DNA futuramente com outros casos que possam acontecer”, disse a gestora do Departamento de Polícia da Mulher de Pernambuco (DPMul), Inalva Regina. Nos recentes casos de abusos, todos os seis estupradores presos, nos últimos dois dias, tiveram material coletado para confrontações que indiquem ou reforcem a autoria dos crimes.

Na prática, o trabalho funciona da seguinte forma: são coletadas das vítimas sêmen, ou saliva, ou fragmento de pele por baixo das unhas que são deixadas como rastros dos agressores no momento da violência. Essa amostra é armazenada e depois contrastada com a do possível agressor. Nesses crimes, essa produção de prova biológica pode ser decisiva. É pela técnica que pode se fazer uma varredura de vítimas que prestaram queixa e realizaram o exame de corpo de delito, sob a suspeita de um mesmo estuprador.

Prisão

O sexto abusador foi preso na última sexta-feira (16). O carregador de carga Edivan do Nascimento, 40 anos, estava em casa. Foi conduzido ao sistema prisional no cumprimento de um mandado de prisão. A 1ª delegada da Mulher, Ana Elisa Sobreira, contou que ele foi reconhecido por uma empregada doméstica, 40, atacada em julho, no bairro da Torre, no Recife. “Ele a abordou quando ela passava pela rua Conde de Ira­­­já por volta das 11h40. Colocou o braço por cima dela. Se aproveitou da questão física e caminhou fingindo que eram conhecidos.

Inicialmente disse que se trata de um assalto. Mas foi levando ela para debaixo da ponte da Torre, onde consumou o ato”.

A delegada crê que Edivan do Nascimento, que já tinha pas­­­sagem pela polícia por roubos, fez mais vítimas no bair­­­ro. O homem anda mancando e tem uma cicatriz entre o joelho e a coxa, características que podem ter chama­­do atenção de outras mulheres.

Não só Edivan pode estar relacionado a outros estupros na Cidade. Os outros cinco estupradores presos entre quarta e quinta-feira podem ter abusados de mais vítimas. Na Zona Sul, por exemplo, as cinco mulheres violentadas pelo vigilante Cícero Santos, 43, criaram nas redes sociais grupos para relatar os abusos que sofreram, além de abrir canal para que possíveis novas vítimas denunciem o agressor. “Apesar de termos identificado as cinco, temos convicção que o suspeito abusou de outras vítimas. Até conseguimos identificar a sexta, porém, ela não quis procurar a polícia. É fundamental a denúncia para que a polícia possa trabalhar na identificação e prender estes criminosos”, disse o delegado de Boa Viagem, Carlos Cou­­to.

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