Campanha “Chega de violência de gênero!” é lançada na Unilab com a presença de Maria da Penha (Unilab – 30/07/2015)

Share on Facebook0Share on Google+0Tweet about this on TwitterEmail this to someone

A comunidade acadêmica da Unilab lotou o auditório do bloco didático do Campus da Liberdade, em Redenção-Ceará, na última quinta-feira (23), para o lançamento da campanha “Chega de violência de gênero!”. A ação é desenvolvida pelo Núcleo de Políticas de Gênero e Sexualidades (NPGS), vinculado à Pró-Reitoria de Políticas Afirmativas e Estudantis, e pelo Grupo de Pesquisa Fempos (Pós-colonialidade, Feminismos e Epistemologias Anti-hegemônicas), do Campus dos Malês. A expectativa de muitos era ainda maior para conhecer a mulher que dá nome à lei federal 11.340/06, a farmacêutica cearense Maria da Penha. Ela compareceu ao evento acompanhada da vice-presidente do Instituto Maria da Penha, professora Regina Célia Barbosa. A comunidade do Campus dos Malês, na Bahia, participou por videoconferência.

A campanha, desenvolvida em parceria com o Centro de Referência da Mulher, de Redenção, e com a Pró-Reitoria de Relações Institucionais, prevê debates intercalados entre o Campus da Liberdade e o Campus dos Malês com o intuito de evidenciar a situação das mulheres e da população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e trans) em seus múltiplos contextos socioculturais. É o que explica a coordenadora do NPGS, professora Violeta Holanda. “O objetivo é sensibilizar a comunidade acadêmica da Unilab à percepção da diversidade de gênero e a compreensão da problemática da violência relacionada a atitudes machistas, sexistas, homo-lesbo-trans-fóbicas, racistas e xenofóbicas”, disse ela na abertura do evento.

Maria da Penha fez questão de salientar a expectativa que tinha de estar na Unilab e sua satisfação com o momento. Em sua fala, ela tratou de situações familiares marcadas pela violência, práticas educativas que contribuem para uma mudança na forma de tratar a mulher e defendeu a implantação no município de Redenção de todos os equipamentos de assistência e proteção às mulheres em situação de violência doméstica e familiar. “Nós sabemos que o estado do Ceará carece de delegacias [de Atendimento à Mulher], de políticas públicas, como o Centro de Referência da Mulher, casa-abrigo e o Juizado [de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher], para que acelere o processo de quem cometeu uma agressão contra sua mulher”, enumera ela, que foi vítima de violência doméstica em um período em que não existia delegacia da mulher no Brasil e cujo processo judicial demorou 19 anos e 6 meses.

Para ela, autora do livro “Sobrevivi… Posso contar”, o homem machista é aquele que não sabe tratar a mulher como pessoa humana e pensa que pode bater nela ou assassiná-la. “Por que existe tanta agressão de homem contra mulher? Porque os homens foram educados como seres superiores. O homem é valorizado na nossa cultura como aquele que tudo pode fazer; pode maltratar sua mulher porque ela é uma propriedade dele. Essa cultura só pode ser desconstruída através da educação, que é o que a Unilab tenta fazer. E como a criação do Instituto Maria da Penha, em 2009, acredita exatamente na educação como transformadora de uma sociedade, é por isso que eu estou feliz de estar aqui”, afirma ela.

O evento contou com a participação do reitor da Unilab, Tomaz Aroldo Santos; o vice-reitor Aristeu Rosendo; o pró-reitor de Políticas Afirmativas e Estudantis, em exercício, Carlos Subuhana; e o pró-reitor de Relações Institucionais, Edson Borges. Também estiveram presentes o prefeito de Redenção, Manuel Bandeira; a primeira-dama do município, Vasti Bandeira; e a coordenadora do Centro de Referência da Mulher, de Redenção, a advogada Laize Luna. Para o reitor, “Maria da Penha soube transformar seu sofrimento em caminhos de liberdade, o que está na direção de libertar também a nós, homens, das nossas fraquezas. Se a violência está no campo da cultura, aí também está um campo de atuação educacional e é essa a principal contribuição que as instituições da educação podem dar, em especial uma universidade como a Unilab, que, por sua constituição, é essencialmente diversa, especialmente pela diversidade cultural”.

Doutoranda em Direito, Justiça e Cidadania para o século XXI, pela Universidade de Coimbra, a professora Regina Célia desenvolve tese sobre o impacto da violência de gênero, resultado de conversas com Maria da Penha. “A mentalidade era que violência de gênero estava localizada, no gueto, específico: na mulher sem educação, desbocada, na negra, na empregada doméstica, no sem instrução. Um dos maiores feitos do caso de Maria da Penha e de ela ter a coragem de denunciar é que ela revelou um outro âmbito:  aqui, na minha formação bioquímica, farmacêutica, mestra, com formação na USP, em um nível social diferenciado, aqui também tem violência”, disse. Tratando, entre outros pontos, sobre negligências e hipocrisias na questão da violência de gênero, mudança de cultura, ações educacionais e de assistência desenvolvidas através do instituto e a experiência de aprendizado com Maria da Penha, ela concluiu com um exemplo familiar: “Tenho dois filhos, de 16 e 14 anos, que estão aprendendo a ser homens com o pai e comigo, juntos, não separados. O respeito à mulher vem através do homem e o respeito ao homem vem através da mulher. E eu acho fundamental que o respeito a si mesma venha de você”, disse, voltando-se especialmente às mulheres presentes no evento.

Confira os vídeos com as falas de Maria da Penha e Regina Célia Barbosa:

Acesse no site de origem: Campanha “Chega de violência de gênero!” é lançada na Unilab com a presença de Maria da Penha (Unilab – 30/07/2015)