Campanhas de ativismo reforçam a importância das alianças para o enfrentamento às diversas discriminações contra as mulheres

Entre novembro e dezembro, diversas iniciativas foram promovidas pelas mais diferentes instituições e movimentos da sociedade civil em todo o mundo. No Brasil, inúmeras ações, como debates, pesquisas, mobilizações e campanhas foram realizadas em diversas cidades, buscando marcar a importância da atuação conjunta e de cada data que compõe o calendário dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres – uma campanha de mobilização realizada globalmente desde a década de 1990 com o objetivo de sensibilizar a sociedade e pressionar os governos a realizarem ações de prevenção, investigação e responsabilização dos atos de discriminação e violência de gênero.

No mundo todo, a mobilização acontece entre 25 de novembro, o Dia Internacional da Não Violência contra as Mulheres, e 10 de dezembro, Dia Mundial dos Direitos Humanos. A escolha do dia 25 de novembro foi uma homenagem às irmãs Mirabal – Patria, Minerva e María – assassinadas pela ditadura de Rafael Trujillo, na República Dominicana, em 25 de novembro de 1960. O assassinato das irmãs Mirabal, conhecidas como Las Mariposas em suas atividades políticas, causou grande revolta entre a população dominicana.

No Brasil, apesar de se adotar para essa mobilização o mesmo nome dos outros países, os 16 dias são na verdade 21 dias de ativismo: aqui a campanha começa no dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, para lembrar que combater o racismo sofrido por mulheres negras e indígenas é central para coibir violações e violências. A ampliação do calendário é uma forma de ressaltar ainda que esse enfrentamento só será efetivo se baseado em alianças e em ações e políticas públicas que contemplem as mulheres na sua diversidade.

Em sua 15ª edição, o Informativo Compromisso e Atitude traz uma série de artigos e entrevistas exclusivas com reflexões e análises a partir de três importantes marcos nesse calendário de mobilização: os dias 20 e 25 de Novembro e também o 6 de Dezembro, o Dia de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres.

A relação entre as desigualdades de gênero e raça e as violências contra as mulheres, a importância do trabalho com homens e no campo da educação para a construção de outras masculinidades e relações de gênero – não violentas ou hierárquicas, e o cenário do Brasil neste enfrentamento, tendo em perspectiva o contexto internacional, são alguns dos temas que, no conjunto, ressaltam a importância da perspectiva interseccional e das alianças para o enfrentamento de violências complexas que acontecem na articulação entre diferentes discriminações. Saiba mais:

Sumário

>> Mulheres Negras e Violência Doméstica: Reafirmando compromissos nos 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, por Suelaine Carneiro

>> 20 de Novembro para as Mulheres Negras: Passou da hora de contar com nosso passado, por Mafoane Odara Poli Santos

>> ENTREVISTA: Trabalho com homens e pela construção de outras masculinidades é essencial para desnaturalizar papéis de gênero hierárquicos e violentos

>> ENTREVISTA: Sem igualdade de gênero não há desenvolvimento sustentável, alerta Nadine Gasman

>> Entrevista Leila Linhares: O Brasil e a efetivação das Convenções CEDAW e Belém do Pará