Capacitação do Cram aborda questões de gênero e violência contra a mulher (Gov. AP – 21/07/2015)

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Uma mulher que é agredida pela companheira deve ser atendida pelo Cram ou pelo CamufF? Esta e outras dúvidas foram levantadas nesta terça, 21, pela equipe técnica do Centro de Referência em Atendimento à Mulher (Cram), um dos espaços que cuidam das mulheres vítimas de violência no Estado. Durante dois dias, os profissionais estão participando de uma capacitação que visa prepará-los para os atendimentos, sobretudo, lidar com as especificidades de cada usuária.

Para a assistente social e facilitadora do treinamento, Patrícia Sampaio Palheta, o caso citado acima indica que a mulher sofreu violência de um membro da família com a qual ela possui vínculo afetivo, e nesse caso, deve ser encaminhada ao Centro de Atenção à Mulher e a Família (Camuf). Se a violência tivesse sido praticada por uma irmã ou uma mulher que não possui vínculo com a pessoa agredida, o tratamento adequado seria dado pelo Cram. Além das questões de gênero, o tratamento com usuárias de drogas e álcool também foi mencionado.

Foram enfatizadas técnicas de acolhimento às mulheres e os tipos de violência por elas sofridos. As mais frequentes são as violências psicológica, patrimonial, física e sexual. Todas elas estão detalhadas na Lei Maria da Penha.

Durante a abordagem dos temas, Patrícia preocupou-se em ilustrar cada assunto com uma experiência vivenciada no ambiente profissional. Segundo ela, existem outras formas de violência sexual como o aborto e o estupro dentro do casamento. “Forçar a mulher a satisfazer as vontades do parceiro quando ela não deseja, também é crime”.

Atualmente o Cram possui cinco unidades em todo o Estado, sendo que Macapá coordena as atividades nos municípios de Laranjal do Jari, Oiapoque, Mazagão, Porto Grande e também em dois boxes de atendimento à mulher localizados nas unidades do Super Fácil da Zona Sul e da Zona Norte da capital. A equipe é formada por mais de 30 profissionais, entre assistentes sociais, psicólogos, fisioterapeutas, pedagogos e assistentes jurídicos, que têm a tarefa de interferir em um comportamento social e cultural que concebe o machismo e a banalização da violência.

Gabriela Picanço é psicóloga e desenvolve suas funções no Cram de Mazagão. É a segunda vez que ela trabalha no atendimento às mulheres. A primeira experiência ocorreu em Cutias do Araguari, quando os índices de violência eram elevados.Ela relata que percebeu que ao tratá-las é preciso considerar a história de vida de cada uma. “Há um momento em que elas olham para dentro de si e resolvem analisar o comportamento de suas famílias. Aquelas que se permitiram ser agredidas, é porque tiveram pais agressivos ou viram suas mães serem violentadas ainda na infância”, apontou a psicóloga.

Reverter esse ciclo de violência é um trabalho que exige esforço e dedicação. “Durante a capacitação, eu notei o quanto o momento da escuta é importante. É nele que a gente precisa se despojar de qualquer tipo de preconceito e proporcionar um momento de atenção à mulher”, disse Gabriela.

O treinamento do Cram continua nesta quarta-feira, 22, com apresentação da Lei 1.764/2013 que criou a Rede Estadual de Atendimento à Mulher (RAM) e as orientações sobre o preenchimento de fichas e levantamentos estatísticos, que vão balizar o trabalho desenvolvido pela equipe no Estado.

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