Caravana Siga Bem abordará a violência contra a mulher (O Estado de S.Paulo – 12/05/2015)

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Caminhoneira que já foi vítima de violência será uma das líderes do projeto que percorrerá 24 estados do País ao
longo de dez meses

Cassia Claro, de 39 anos, vai cair na estrada nesta terça-­feira, 12, para uma jornada dez meses pelas rodovias brasileiras, a partir de São Paulo. Da boleia do caminhão, a costureira que virou caminhoneira será uma das líderes a Caravana Siga Bem que, neste ano, vai levar a 24 estados do País um tema que ela infelizmente conhece bem ­ a violência contra a mulher.

Criada em 2003 e considerada a maior ação social itinerante da América Latina, a caravana terá como tema em 2015 a violência doméstica e o feminicídio. Somente no ano passado, 53 mil brasileiras foram vítimas desse crime, de acordo com a Secretaria de Política para as Mulheres do Governo Federal.

Para contribuir no combate à violência, um dos 16 caminhões da caravana servirá de palco para um peça teatral que usa elementos de comédia para falar sobre a Lei Maria da Penha ­ e cuja atriz principal é Cassia. A caminhoneira diz que a peça é importante para alertar sobre as diversas formas de agressão. “No meu caso, começou com agressão verbal e foi progredindo para a agressão física”, diz ela, que hoje luta para conscientizar outras mulheres a falarem sobre o que enfrentaram.

Nas paradas ao longo dos 32 mil quilômetros percorridos, que sempre ocorrem em postos de gasolina, o público também terá acesso a uma série de serviços gratuitos ­ como atendimento de saúde, corte de cabelo e massagem ­, palestras educativas, apresentações culturais, shows, e atividades.

Apaixonada por carros, caminhões e carretas desde a adolescência, Cassia também serve de inspiração para suas colegas. “As caminhoneiras e as mulheres apaixonadas por caminhões se identificam comigo quando me encontram. O preconceito nas empresas com motoristas mulheres ainda é muito grande”, explica. Cassia começou a vida como costureira mas, depois que aprendeu a dirigir, se interessou cada vez mais por veículos grandes. Ela se tornou instrutora de trânsito e trabalhou em uma grande empresa testando carros, até que foi convidada para participar da caravana, no ano passado.

A única tristeza, agora, é ter de deixar o filho de 12 anos durante a viagem. “Nas folgas, fico agarrada nele”.

Trajetória

Duas equipes pegam a estrada nesta terça-­feira: a do eixo Norte e a do eixo Sul. A primeira ação do eixo Norte será em Três Corações (Minas Gerais) enquanto a do Sul desfaz as malas em Atibaia (São Paulo). O projeto contará com 16 carretas, quatro vans e dois carros de apoio, que passarão por 110 cidades e 24 estados mais o Distrito Federal, no período entre maio de 2015 e janeiro de 2016.

Segundo o idealizador do projeto, Alexandre Côrte, a Caravana Siga Bem estabelece uma relação íntima com a comunidade e com os caminhoneiros. “O corpo a corpo traz uma capacidade de compreensão por parte das pessoas que são atendidas. É quanto você percebe que está fazendo o bem”, afirma. “Nossa missão é promover cidadania e conscientização entre os caminhoneiros do Brasil, bem como proporcionar ações de entretenimento e lazer”.

Mônica Reolon 

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