Casa da Mulher Brasileira de Campo Grande implementa sistema de comunicação para evitar repetição do relato da violência sofrida

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Para reforçar as alternativas que a Casa da Mulher Brasileira de Campo Grande (MS) oferece para as mulheres que buscam o equipamento para romper uma relação violenta, no dia 03 de fevereiro, a secretária de Enfrentamento à Violência da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Aparecida Gonçalves, anunciou o projeto Liberta Mulheres, que será realizado em parceria com a Prefeitura da cidade (Saiba mais: Prefeitura implanta programa liberta mulheres na Casa da Mulher Brasileira).

A ação é voltada para o desenvolvimento da autonomia financeira das mulheres atendidas na Casa, sendo que, num primeiro momento, cinqüenta delas foram selecionadas para fazer um curso profissionalizante, recebendo o auxílio de um salário mínimo durante este período de estudo.

O anúncio foi realizado durante a cerimônia de aniversário da Casa, a primeira do País, que completou um ano de funcionamento em fevereiro registrando números expressivos de atendimentos e sendo comemorada pelos profissionais que atuam no equipamento (Leia mais: Acolhimento de qualidade estimula denúncia, avaliam profissionais da Casa da Mulher Brasileira de Campo Grande).

Outra novidade anunciada para o equipamento é a implementação do Sistema Iris, sistema de informática que permitirá a criação de um cadastro único, especificando o atendimento feito em cada setor da Casa, com acesso sigiloso e acompanhado pelos profissionais que atendem nos diferentes serviços. O intuito é aprimorar o sistema de comunicação entre os profissionais, evitando que a mulher atendida tenha que repetir as mesmas informações nos diferentes setores do equipamento. Em Campo Grande, o Iris está em fase de implementação. Futuramente, o sistema poderá ser implantado nas Casas da Mulher Brasileira construídas em outros Estados.

“Para esse segundo ano, temos buscado novas formas de aprimorar o atendimento e garantir a eficiência da Casa da Mulher Brasileira. Estamos instalando esse sistema para que de fato a mulher não precise repetir todas as vezes o mesmo relato de violência. Além disso, a Prefeitura de Campo Grande conseguiu um programa de formação para o mercado de trabalho para as mulheres, que vão receber auxílio”, resume Aparecida Gonçalves.

Ao Portal Compromisso e Atitude, Giuza Victório, gerente administrativa da Casa, falou sobre as perspectivas que o poder público municipal tem com a iniciativa de formação profissional para as mulheres. “Nossa expectativa é muito boa. Inicialmente serão cinquenta mulheres que receberão durante seis meses salário mínimo e transporte para fazer o curso. Pensamos em ampliar o número de vagas e a diversidade dos cursos. Atualmente há cursos de manipulação de alimentos, manicure, pedicure, cabeleireira e pensamos em ampliar isso, quebrando alguns paradigmas”, afirmou.

Resultados do primeiro ano estimulam novas ações

Os resultados positivos do primeiro ano de funcionamento mostram que, com o serviço integrado, humanizado e de qualidade, as mulheres de fato buscam o equipamento como uma porta de saída do ciclo da violência e, portanto, a implementação de novas ações para qualificar ainda mais o acolhimento é fundamental, conforme aponta a secretária Aparecida Gonçalves. “A Casa mostra que há efetividade desse tipo de serviço e que, quando o Estado se organiza e dá condições, as mulheres denunciam a situação de violência e buscam apoio. Além disso, a Casa tem provado que é possível fazer uma política com todos os poderes, construindo uma parceria, para que de fato a mulher tenha um atendimento integral, eficiente e eficaz”, destaca a gestora.

Nesse sentido, segundo a defensora pública e coordenadora Núcleo Institucional de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher em Situação de Violência de Gênero (Nudem) da Defensoria do Estado, Graziele Carra Dias Ocáriz, o Conselho Gestor da Casa em Campo Grande também trabalha buscando uma maneira de permitir que os exames de lesão corporal possam ser feitos na própria Casa, buscando evitar o deslocamento para realização da perícia. Atualmente, a Casa conta com uma central de transportes que acompanha a mulher até o Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL).

“Nosso expectativa é que, iniciativas como a da Casa da Mulher Brasileira, contribuam para que possamos ter uma sociedade mais humana, menos machista e uma cultura de respeito, dignidade e igualdade de gênero na sociedade”, vislumbra a coordenadora da Casa da Mulher Brasileira de Campo Grande pela Secretaria Nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres, Eloisa Castro Berro.

A instalação de uma Casa da Mulher Brasileira nas capitais dos Estados é parte do programa “Mulher: Viver sem Violência”, implementado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres do Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos. Atualmente, várias unidades estão sendo construídas no território nacional e dois equipamentos estão em funcionamento – em Campo Grande (MS) e Brasília (DF).

Por Géssica Brandino
Portal Compromisso e Atitude