Caso Maria Luíza: advogado deixa defesa e júri é adiado (Tribuna do Norte – 03/11/2015)

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A Justiça adiou, mais uma vez, o júri popular que vai decidir se Kleisson de Souza Freitas da Silva, de 35 anos, é responsável pela morte da adolescente Maria Luíza Fernandes Bezerra. Marcado para esta terça-feira (3), o júri foi adiado depois que o advogado Arsênio Pimentel, que defende o acusado, renunciou ao cargo. Um novo advogado deverá ser indicado pelo réu e, então, haverá o julgamento.

Kleisson de Souza Freitas da Silva foi denunciado pelo estupro e morte da estudante Maria Luíza, no dia 21 de abril de 2009. O outro acusado pela morte, Thiago Felipe Rodrigues Pereira, foi condenado a 26 anos de prisão em regime fechado em julgamento no 19 de novembro do ano passado. Kleisson da Silva deveria ter sido julgado no mesmo dia, mas acabou sendo adiado porque seu advogado estava em viagem internacional.

A estudante Maria Luíza Fernandes Bezerra foi estuprada e brutalmente assassinada aos 15 anos

A estudante Maria Luíza Fernandes Bezerra foi estuprada e brutalmente assassinada aos 15 anos (Foto: Humberto Sales)

Recentemente, a defesa do réu tentou alegar que ele sofre de insanidade mental, o que não foi atestado em exames feitos pelo Instituto Técnico e Científico de Polícia (Itep). Agora, quando deveria ocorrer o júri, o advogadio Arsênio Pimentel alegou que precisaria de novo adiamento porque precisava da presença de uma testemunha fundamental para o caso, mas que ela não poderia estar presente hoje. Como a juíza não permitiu, o advogado renunciou ao cargo, obrigando o adiamento do júri.

A Justiça ainda vai definir quando será a nova data para o júri. O réu terá 10 dias para nomear um novo advogado e, caso não o faça, a Justiça indicará um defensor público para acompanhá-lo no caso.

Memória

A jovem Maria Luíza foi morta e estuprada em 21 de abril de 2009, à época com 15 anos de idade, no bairro de Cidade da Esperança. O assassinato de Maria Luíza causou ampla comoção à sociedade, mas em uma complexa investigação, foi elucidado quase quatro anos depois.

Em dezembro de 2012, o então delegado titular da Delegacia de Homicídios de Natal e o Ministério Público apresentaram a intrincada história de um crime motivado por desejo sexual. Thiago Felipe Rodrigues, o Thiago Cabeção, e Kleisson de Souza Freitas, conhecido como “Negão”, foram presos pela equipe do delegado Laerte Jardim Brasil.

À época, o delegado disse que a motivação para o crime teria sido o desejo de Thiago Cabeção em manter relações sexuais com a vítima. “Como não foi correspondido, ele se juntou a Kleisson Freitas e, no início da noite do dia 21 de abril de 2009 para cometer o crime”, afirmou o delegado.

Na denúncia do Ministério Público, com base nas investigações da Dehom, Kleisson de Souza Freitas da Silva forneceu o local onde Maria Luíza foi estuprada e assassinada após o sequestro. Thiago Felipe Rodrigues Pereira e Kleisson de Souza Freitas da Silva foram indiciados pelos crimes de homicídio triplamente qualificado – por motivos torpes, crueldade e utilizando recursos que dificultaram a reação da vítima – sequestro, cárcere privado, roubo qualificado, estupro, vilipêndio e ocultação de cadáver, além de coação no curso do processo.

De acordo com a denúncia recebida pela 1ª Vara Criminal de Natal, Maria Luíza foi raptada pelos acusados quando caminhava pela na avenida Capitão Mor Gouveia, no bairro Bom Pastor. A vítima foi colocada em um veículo Gol e levada à casa de Kleisson Silva, no conjunto Jardim América, local onde foram praticados os abusos sexuais, agressões e o homicídio. Após assassinarem a estudante, transportaram o corpo até um lixão, onde a enterraram após vilipendiar o cadáver.

O delegado ressaltou que foram encontrados vestígios de sangue na casa do acusado, algo que consta em laudos anexados ao processo. Maria Luíza foi estrangulada com uma camisa do América e com um sutiã, peças que a própria vítima vestia antes de ter sido violentada.

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