Caso Mércia Nakashima

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A advogada Mércia Nakashima, 28 anos, foi vista pela última vez na casa da avó, em Guarulhos, Grande São Paulo, no dia 23 de maio de 2010. Dezoito dias depois, o carro da advogada foi encontrado dentro de uma represa em Nazaré Paulista, interior de São Paulo. No dia seguinte, 11 de junho, o corpo de Mércia foi encontrado no local.

A perícia apontou que Mércia levou um tiro no rosto; porém, segundo o laudo do Instituto Médico Legal (IML), ela morreu por afogamento quando seu carro ficou submerso na água. O policial aposentado e também advogado, Mizael Bispo de Souza, ex-namorado da vítima, e o vigia Evandro Bezerra Silva são suspeitos de serem o mandante e partícipe do crime.

Clique aqui para acessar uma retrospectiva do caso em infográfico preparado pelo Portal Terra.

Mizael e Mércia namoraram durante quatro anos e dois meses. Segundo o depoimento da irmã da vítima, Cláudia Nakashima, o casal brigava muito e Mizael era ciumento. O policial aposentado teria ameaçado a advogada após o término do relacionamento.

Em depoimento, o delegado do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Antonio de Olim, responsável pela investigação, afirma que Mizael teria premeditado o crime no dia 16 de maio, sete dias antes do assassinato. Na ocasião, ele estaria com Mércia em um motel enquanto fazia ligações para Evandro. O motivo seria o fato de o policial pensar ter sido traído pela ex-namorada. Sobre os locais pelos quais Mizael disse ter passado ou ficado no dia 23, Olim disse que o réu ficou surpreso com o relatório do rastreador de seu carro, pois parecia não saber da existência do equipamento instalado pelo seguro, que fora contratado por Mércia. Olim disse que, com o relatório, não havia como Mizael negar os locais em que esteve.

De acordo com o diretor do DHPP, Marco Antônio Desgualdo, a advogada teria entrado no carro de Mizael pensando que os dois iriam para uma pousada próxima à represa. Durante a semana do crime, de acordo com Mizael, os dois se encontraram várias vezes. Ao longo do mês, ambos trocaram vários telefonemas, cujos registros foram apresentados pelo acusado como forma de se defender da alegação de que a vítima o tinha rejeitado.

Depois do assassinato de Mércia, Evandro Bezerra Silva foi para Sergipe, onde foi preso em julho. A polícia rastreou chamadas telefônicas trocadas com Mizael no dia do crime. Em dezembro de 2010, a Justiça de Guarulhos decretou a prisão preventiva de Mizael e Evandro e que os dois fossem levados a júri popular. Mizael foi denunciado por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima) e ocultação de cadáver. Após ficar um período foragido, Mizael se entregou em fevereiro de 2012 no Fórum de Guarulhos. O vigia foi denunciado por homicídio duplamente qualificado (emprego de meio insidioso ou cruel e mediante recurso que tornou impossível a defesa da vítima) e ocultação de cadáver. No final de fevereiro de 2013, a Justiça paulista determinou o desmembramento do julgamento dos acusados.

Julgamento e condenação

No dia 14 de março de 2013, o Tribunal do Júri de Guarulhos, São Paulo, condenou Mizael a 20 anos de prisão, em regime inicial fechado, pela morte de Mércia Nakashima. O júri, composto por cinco mulheres e dois homens, considerou três circunstâncias agravantes no crime cometido por Mizael, motivo torpe, emprego de meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. O juiz Leandro Jorge Bittencourt Cano aumentou a pena do réu por “desvio de caráter” e “reprovabilidade da personalidade”, afirmando que Mizael agiu “premeditadamente”, consumando o crime em lugar ermo. O júri de Mizael foi transmitido ao vivo por TV e rádio. Em seu depoimento, Mizael negou ter cometido o crime e afirmou que foi vítima de uma armação da polícia.

No dia 31 de julho de 2013, o vigia Evandro foi condenado a 18 anos e 8 meses de reclusão. Os jurados entenderam que o vigia auxiliou Mizael ao perseguir a vítima e dar fuga do local do crime. Evandro confessou que deu carona para Mizael na data do crime, mas alegou que não tinha conhecimento do assassinato.

Em 28 de junho de 2017 a 12ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo decidiu, por três votos a zero, aumentar a pena de Mizael de 20 anos de prisão para 22 anos e oito meses. A decisão aconteceu em julgamento de recursos do Ministério Público e da defesa do autor do crime, e a relatora do caso foi a desembargadora Angélica de Maria Mello de Almeida.

Leia mais: O sofrimento ainda é o mesmo, diz mãe de Mércia Nakashima três anos após o crime (R7 – 23/05/2013)