Casos de abusos de crianças kalunga ocorrem desde década de 90 (Diário da Manhã – 20/04/2015)

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Lideranças da comunidade denunciaram agressões que ocorrem há mais de 20 anos. Dez inquéritos estão finalizados

Goiás guarda um histórico vergonhoso de violência sexual contra minorias. Na década passada, o Estado foi notícia internacional com episódios que ocorreram em Niquelândia.  A magistratura e a Polícia Civil fizeram de tudo para colocar atrás das grades políticos envolvidos com pedofilia. Pouco se conseguiu. Talvez um pouco mais de Justiça do que foi feito no passado colonial, em que índios que moravam em Goiás foram violentados materialmente e sexualmente pela presença do branco.

Leia mais:
Parlamentares querem ajuda do Ministério da Justiça para coibir abusos em Goiás (Agência Brasil, 21/04/2015)
Comissão da Câmara apura violência sexual contra meninas quilombolas de Goiás (Radioagência Nacional – 20/04/2015)

Dessa vez, a denúncia que aflige o Estado é a agressão contra os kalungas, em Cavalcante.  Ontem, cerca de 300 pessoas acompanham, no município, a audiência pública especial da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. O grupo apura denúncias de abusos e exploração sexual das crianças da Comunidade Quilombola.

Durante os pronunciamentos, os moradores lotaram o auditório da sede do centro de convivência. É lá que ocorre o Programa de Erradição do Trabalho Infantil (Peti) do município. Lugar mais simbólico não existe.

Cavalcante viveu recentemente um caos administrativo: disputas políticas entre vereadores e prefeito deixaram o município ainda mais frágil, impedindo que a cidade construísse uma rede de proteção contra seu maior patrimônio – os valores humanos dos kalungas. Segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Cavalcante tem população de 9.747 habitantes.  É o  maior território quilombola do país  com cerca de 8 mil pessoas.

LIDERANÇAS

Líder comunitária da Comunidade Kalunga do Engenho, Dalila Reis Martins, de 28 anos, afirmou ontem na audiência que o trabalho doméstico e a exploração sexual de meninas quilombolas ocorre há mais de duas décadas. Ela mesma foi vítima de trabalho infantil doméstico e de abuso sexual: “Existe uma rede de aliciadores que traz meninas quilombolas para Cavalcante, Goiânia e Brasília. Temos recebido na comunidade meninas que fogem das cidades e relatam uma série de violências que sofreram.”

Lucimar Ferreira dos Santos, professora, trouxe cartazes: “Fiquei surpresa com esses casos e quero que eles sejam devidamente apurados e punidos para que as crianças quilombolas tenham paz.”

O delegado Diogo Luiz Barrera disse que, desde janeiro deste ano, foram concluídos dez inquéritos políciais sobre abusos e exploração sexual de crianças em Cavalcante. Um deles resultou na prisão de um dos acusados. “Em outro inquérito, já concluído, temos todos os indícios necessários para a prisão de um político local, mas até agora não obtivemos a autorização judicial”, disse o delegado.

A Polícia Civil de Goiás informa que já tem em mãos 10 inquéritos de estupro de meninas com até 14 anos. Em um deles, informa o órgão, o vereador Jorge Cheim (PSD), de 62 anos, foi indiciado pelo estupro de uma criança de 12 anos.

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