Casos de agressão contra a mulher sobem 17,4% em dez meses no AM (G1/Amazonas – 09/02/2017)

Delegacia Especializada em Crimes contra Mulher registrou 9 mil boletins. Tipos de agressões mais frequentes foram ameaça, injúria e lesão

O índice de violência contra a mulher em Manaus aumentou 17,4% no período de dez meses, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM). Os dados estatísticos são relativos ao período entre janeiro a outubro de 2016 em comparação com o ano de 2015. Entre os tipos de agressões mais frequentes está a ameaça. A Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher (DECCM) também registrou 9 mil boletins de ocorrência até o início de dezembro.

De acordo com a SSP, até outubro de 2016 foram registrados 12.844 casos. O número está pouco acima do mesmo período de 2015, quando a secretaria obteve 10.939 registros. Os tipos de agressões mais frequentes foram ameaça, injúria e lesão.

Também foram registrados feminicídios no mesmo período. O feminicídio acontece quando uma pessoa do sexo feminino morre em contexto de violência doméstica ou sob desprezo de gênero. Entre janeiro e dezembro de 2016 foram registradas três mortes. No ano passado, dois casos foram contabilizados pela secretaria.

Delegada Andréa Pereira é a titular da DECCM há cerca de seis anos (Foto: Suelen Gonçalves/G1)

Delegada Andréa Pereira é a titular da DECCM há cerca de seis anos (Foto: Suelen Gonçalves/G1)

A delegada Andréa Pereira é titular da Delegacia Especializada em Violência Contra a Mulher (DECCM) há quase seis anos.

Ela atribuiu o aumento de registros divulgados pela SSP-AM a dois possíveis fatores: a nova delegacia de violência contra a mulher localizada no bairro Cidade de Deus, inaugurada em 2014; e o empoderamento da mulher que avança em conhecimentos sobre seus direitos para denunciar.

“Quando [a delegacia] foi inaugurada, acreditávamos que haveria uma redução no número de ocorrências na DECCM do Parque 10, mas não aconteceu. O que nós percebemos é que a nova delegacia atendeu a uma demanda reprimida”, explicou.

Essa demanda reprimida se dá pelo fato de que haviam mulheres violentadas em bairros mais afastados que não tinham condição de ir até a delegacia no bairro Parque 10, ou que não se sentiam seguras devido à distância pelo local onde mora.

“Aí fica o questionamento: está havendo mais violência ou a mulher está tendo mais coragem para denunciar? Hoje, a mulher denuncia com muito mais facilidade, ela tem mais conhecimento sobre a Lei”, pontuou.

Mulheres podem denunciar na Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher (DECCM) (Foto: Ísis Capistrano/ G1 AM)

Mulheres podem denunciar na Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher (DECCM) (Foto: Ísis Capistrano/ G1 AM)

Silêncio da vítima mata

De acordo com a Andréa, 90% dos casos de feminicídios acontecem porque a vítima não registrou boletim de ocorrência. Neste ano, entre 9 mil boletins de ocorrência, apenas uma mulher que havia registrado BO chegou a morrer depois da denúncia. De acordo com a delegada, quando a mulher registra a violência e dá continuidade ao caso, ela está salvando a própria vida.

Em todo o caso, o saldo de 2016 é positivo, pois ela ressalta que políticas públicas estão sendo implementadas como o Botão do Pânico, o Disk denúncias 180, os aplicativos da Polícia Civil em relação à Lei Maria da Penha e o Portal da Mulher Amazonense. “O ideal é que chegue o dia em que não precise de uma Lei para impedir essa violência tão cruel, que acontece dentro de casa”, finalizou.

(Colaborou Ísis Capistrano)

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