Casos de agressões contra mulheres dobraram neste ano em Rio Preto (G1/Rio Preto e Araçatuba – 16/05/2016)

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Foram registrados 105 casos por mês de janeiro a maio deste ano. Segundo secretaria, números de agressões podem ser ainda maiores.

Nos primeiros três meses deste ano, a Polícia Militar registrou 316 casos de violência contra a mulher, em São José do Rio Preto (SP). Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), há uma média de 105 casos registrados por mês, mais do que o dobro da média do ano passado, que foi de 52 denúncias por mês.
Somente na semana passada, três mulheres foram vítimas de violência na cidade. Uma delas, de 37 anos, foi morta a facadas pelo marido, na região norte de Rio Preto. Dois dias antes, uma jovem de 20 anos contou à polícia que foi assaltada e estuprada dentro do próprio carro, na região sul. Segundo a vítima, ela estava com a filha de três anos, no banco de trás quando foi abordada pelo criminoso.

A terceira vítima de agressão foi uma mulher, que, depois de uma discussão com o marido dentro do carro, foi empurrada e atropelada pelo agressor. Nesta segunda-feira (16), uma vendedora, de 38 anos, foi agredida pelo marido na frente dos filhos, de 10, 12 e 14 anos, na noite deste domingo (15).

Após ficar casada por dez anos e há cinco sofrer agressões do marido, uma das mulheres que sofreu agressão decidiu colocar o marido para fora de casa e criar os dois filhos sozinha. “Descobri as traições e ao cobrar satisfações sobre o que estava acontecendo as agressões começaram dentro de casa. Ele me enforcava na parede e sempre dizia que iria me matar”, diz a vítima.

Durante depoimento, ela disse que deu queixa contra o marido quando as agressões e ameaças começaram, mas o perdoou por causa dos filhos e da dependência financeira. “Eu fiz dois boletins de ocorrência, mas por medo e pelos meus filhos não apresentei as queixas para a polícia”, comenta.

A delegada da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Rio Preto, Margarete Franco, explica que quando a denúncia é feita, dependendo do caso, a Justiça protege a mulher do agressor até a conclusão do inquérito policial. “O juiz vai determinar que o agressor se afaste do lar e não mantenha contato com a vítima e as testemunhas até o fim do processo criminal. O contato também se estende para mensagens e ligações telefônicas. Caso o agressor descumpra as medidas restritivas pode ser solicitada a prisão preventida do agressor”, afirma.

Segundo a delegada, apesar do número crescente de ocorrências ainda não é possível ter os dados concretos de quantas mulheres são agredidas e violentadas diariamente. O problema é que muitas mulheres têm medo de denunciar as agressões. “Primeiro começa com um tapa, depois é um soco e no dia seguinte outra coisa e pode gerar até uma morte. Por isso, existe a Delegacia da Mulher, para que casos como esse sejam evitados”, explica Margarete.

De acordo com a coordenadora do Centro de Referência e Atendimento à Mulher, Cléa da Cruz Lima, quando a vítima de agressão se sente insegura, apesar da proteção policial e das medidas judiciais, ela pode recorrer à Secretaria da Mulher, que oferece atendimento psicológico, judicial e moradia para as vítimas e para os filhos.

“Todo atendimento prestado à mulher é feito pelo Centro de Referência e a avaliação feita para o acolhimento é realizado pelo centro. As mulheres que são encaminhadas para a casa só serão encaminhadas em casos de risco de morte. A vítima fica resguardada por até 180 dias até que outras medidas sejam tomadas”, afirma a coordenadora.

Segundo o Cram, desde janeiro deste ano, 551 mulheres receberam atendimento no Centro de Referência e Atendimento à Mulher, que pertence à Secretaria dos Direitos e Políticas para Mulheres, Pessoa com Deficiência, Raça e Etnia. Ao todo são 137 atendimentos por mês. A média é de, pelo menos, quatro mulheres em busca de ajuda por dia.

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