Casos de assédio sexual no comércio crescem em 2015 em Piracicaba, SP (G1 – 09/10/2015)

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Sindicato registrou 30 denúncias neste ano; número supera 2014 inteiro. Para a entidade, problema pode ser ainda maior por falta de notificações.

O número de denúncias de assédio sexual no comércio em Piracicaba (SP) registrou aumento em 2015. Nesses dez meses, 30 pessoas já procuraram o Sindicato dos Empregados do Comércio para registrar o crime. A quantidade de casos, neste ano, já superou a registrada em 2014 inteiro, quando foram feitas 20 queixas.

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Na maioria das vezes, segundo o sindicato, as funcionárias são assediadas pelos patrões. Para combater os abusos, a entidade lançou uma cartilha e uma campanha para orientar os trabalhadores do comércio sobre o tema.

Uma ex-vendedora, que pediu para não ser identificada, disse que foi vítima de assédio sexual no trabalho. “Eu estava distraída, fazendo café, e meu patrão chegou por trás e me abraçou”, afirmou. Ela decidiu sair do emprego, mas não revelou o motivo nem para a família. “Ninguém sabe. Eu tenho vergonha”, disse a ex-vendedora, que continua desempregada.

Crescem casos de assédio sexual no comércio de Piracicaba (Foto: Toni Mendes/EPTV)

Maioria das vítimas é mulher; homens são alvos em só 1% dos casos(Foto: Toni Mendes/EPTV)

O sindicato informou que, ao longo de sua história, já registrou aproximadamente 300 denúncias de assédio sexual, 10% delas foram só em 2015.  De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), as mulheres são as vítimas na maioria das vezes. Em apenas 1% das ocorrências, os alvos são do sexo masculino.

Em muitos dos casos, os chefes aproveitam do cargo superior para coagir a vítima. Além de humilhar, insultar ou intimidar, o patrão ameaça tirar o emprego da pessoa ou prejudicá-la em eventuais promoções na empresa.

Quebrar o silêncio
O presidente do sindicato, Roberto Previde, acredita que o problema possa ser ainda maior que o revelado pelo número de casos registrados, já que muitas queixas não chegam a ser oficializadas. “A maioria das mulheres tem receio de fazer esse tipo de denúncia porque envolve questões familiares e isso é muito difícil”, disse.

Uma vendedora, que já foi vítima de assédio, levou o caso à Justiça e venceu. Ela disse que enfrentar o problema é necessário. “Aconselho às pessoas que façam a denúncia. Se for um fato verdadeiro, o juiz vai entender e vai dar ganho de causa”, afirmou a mulher, que também pediu para não ser identificada.

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