Casos de estupro aumentam 2% no 1º semestre de 2016 em SP, diz instituto (G1/São Paulo – 27/09/2016)

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Segundo pesquisa, 1055 mulheres foram estupradas nos primeiros 6 meses. Em 58,9% dos casos, agressor faz parte do círculo pessoal da vítima

Um levantamento feito pelo Instituto Sou da Paz mostra que os casos de estupro na capital paulista cresceram 2% no primeiro semestre deste ano. Nos primeiros seis meses do ano, 1055 mulheres foram estupradas na capital, contra 1034 no mesmo período de 2015. Os dados foram obtidos com base em boletins de ocorrência, pelo Diário Oficial e pela Lei de acesso.

Deste total, 23,9% têm entre 11 e 15 anos. Em 58,9% dos casos, o agressor faz parte do círculo pessoal da vítima. Cerca de 29% são conhecidos, 25% familiares e 4,8% têm ou tinham algum tipo de envolvimento amoroso com a vítima. No estado de São Paulo foram 4700 mulheres estupradas no primeiro semestre de 2016, segundo o instituto.

A ONG também apontou os dez distritos com mais registros de estupros na capital. Em primeiro lugar está o Capão Redondo, seguindo do Jardim das Imbuias – os dois na Zona Sul. Em terceiro lugar está Perus, na Zona Norte.

No Tribunal de Justiça de São Paulo, na Praça da Sé, um grupo de mulheres se reuniu nesta terça-feira (27) para fazer um protesto em favor do direito das mulheres.

“Muitas vezes o estupro ou a violência doméstica se dá entre um casal. Um pai, um marido que bate na mulher e no filho. Muitas vezes a mulher não quer que essa pessoa vá presa porque afinal ela é, ele é o marido, o pai dos filhos. Ela quer que a agressão cesse, ela quer que a agressão seja rompida. Então, romper esse ciclo não é simplesmente afastar o agressor e aprisionar. Às vezes é preciso afastar para romper a violência naquele momento mas depois é preciso tratar para que aquele núcleo familiar eventualmente possa até continuar a existir, sem violência dentro”, explica Carolina Ricardo, coordenadora do Instituto Sou da Paz.

A coordenadora afirma que é preciso que as mulheres confiem na Justiça e procurem as delegacias especializadas. O número da central de atendimento à mulher é 180, funciona 24h e a ligação é gratuita.

“Denunciar é fundamental para que esse crime não seja mais invisibilizado, pra que ele não seja mais naturalizado e que a cultura do estupro seja superada. Então a mulher precisa confiar, ela precisa ir ao sistema de justiça, pedir apoio também aos familiares. Sem denúncia é muito difícil que a mulher rompa o ciclo de violência e consiga se livrar dessa situação tão terrível que é o estupro entre conhecidos”, afirma Carolina.

Dados da SSP

A cidade de São Paulo registrou aumento de 32,39% no número de casos de estupros em agosto de 2016 em comparação com o mesmo mês do ano passado, de acordo com os dados da violência divulgados nesta sexta-feira (23) pela Secretaria da Segurança Pública.
O secretário da Segurança Pública, Mágino Alves Barbosa Filho, voltou a defender que o crime é majoritariamente doméstico, o que, segundo ele, dificulta a atuação do estado.

“É um crime que termina a ocorrer entre quatro paredes. O restante dos crimes, por isso que eu sempre digo que é muito importante a notificação do crime de estupro, o restante dos crimes, a gente precisa detectar situações que se assemelham entre um caso e outro para a gente poder chegar a prender autores desse crime.”

Foram contabilizados 233 casos na capital no mês de agosto, contra 176 no mesmo mês de 2015.

Em todo o estado, o crime de estupro registrou aumento de 27,42% em agosto de 2016 comparado ao mesmo período do ano anterior. No acumulado do primeiro semestre deste ano em relação aos seis primeiros meses do ano passado, os episódios de violência sexual cresceram 6,68%.

Cerca de um mês após a primeira Delegacia da Mulher (DDM) 24h, houve, nesta unidade, aumento de 158% nas denúncias contra estupro. Entre o período de 22 de julho a 21 de agosto, 132 boletins de ocorrência foram registrados e nenhuma prisão em flagrande foi lavrada. Já entre 22 de agosto e 21 de setembro, período em que a DDM funciona 24h, 341 boletins de ocorrência foram registrados e sete prisões em flagrante foram lavradas.

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