Casos de estupro aumentam quase 10% na RMVale, segundo SSP (Meon – 30/05/2016)

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Somente em São José dos Campos, foram registrados 72 casos em 2016

Os casos de estupro tiveram um aumento de 9,42% na RMVale (Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte) no primeiro quadrimestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2015. Os dados são da SSP (Secretaria de Segurança Pública) do Estado de São Paulo e foram divulgados na última semana.

Segundo as estatísticas da SSP, nos quatro primeiros meses deste ano a RMVale registrou 209 casos de estupro. No mesmo período do ano passado, a região teve 191 ocorrências da mesma natureza.

Para a moradora de São José dos Campos Mayumi Nagano, que participa de discussões sobre preconceito e violência contra mulheres na cidade, o balanço reflete uma nova postura das vítimas. “As mulheres estão tomando mais coragem pra denunciar, passaram a entender que tem que ser denunciado e combatido. A cultura do estupro é antiga, não é só ser atacada na rua, levada pro mato e estuprada, existem várias situações e ambientes onde a mulher é estuprada, dentro de casa, escola, igreja etc”, diz.

“Algumas pessoas ainda falam que as mulheres pedem pra isso acontecer e questionam: ‘mas que roupa você estava, estava sozinha, bêbada?’, mas não tem justificativa, o homem acaba acreditando que é normal, que por ser mais forte tem algum poder sobre a mulher. É [o estupro] uma violência muito bruta contra o corpo da mulher, é o machismo na forma mais clara e um ódio às mulheres”, afirma Mayumi.

Estupro coletivo no Rio de Janeiro
No último dia 21, uma adolescente de 16 anos foi vítima de um estupro coletivo por 33 homens em uma comunidade da Zona Oeste do Rio de Janeiro. A polícia já identificou e pediu a prisão de pelo menos quatro homens envolvidos no crime, um deles tinha um relacionamento com a menina.

O caso ficou nacionalmente conhecido na quarta-feira (26), quando fotos e vídeos da ação foram publicados na internet pelos próprios agressores.

Desde que o caso veio à tona, as redes sociais foram inundadas de campanhas contra a violência sexual contra mulheres. Inúmeros usuários do Facebook, por exemplo, colocaram a frase “Eu luto pelo fim da cultura do estupro” eu sua imagem de perfil.

Nesta quinta-feira (26), a jovem utilizou sua página na mesma rede social para agradecer as mensagens de apoio. “Realmente pensei serei (sic) que seria julgada mal! Mas não fui”, diz a jovem. “Não, não dói o útero e sim a alma por existirem pessoas cruéis sendo impunes!! Obrigada ao apoio”, escreveu a menina que na manhã desta sexta (27), também aderiu à campanha pelo “fim da cultura do estupro”.

Segundo Mayumi, um manifesto contra o caso do Rio de Janeiro deve ser feito em São José dos Campos ainda nesta semana. “Vai rolar em São José uma manifestação em repúdio ao que aconteceu no Rio de Janeiro. É um ato que vai acontecer no Brasil inteiro. A data ainda será definida”, conta Mayumi que participa do “Piquenique das Minas”, encontro que acontece algumas vezes na cidade. São José possui outros grupos como a “Frente Feminista” e o “Nós Por Nós Mesmas”.

Barbárie
A OAB-RJ (Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro) e o presidente interino Michel Temer (PMDB), classificaram o caso como “barbárie”. “Os atos repulsivos demonstram, lamentavelmente, a cultura machista que ainda existe, em pleno século 21”, disse a entidade em nota.

“Repudio com a mais absoluta veemência o estupro da adolescente no Rio de Janeiro. É um absurdo que em pleno século 21 tenhamos que conviver com crimes bárbaros como esse”, escreveu Temer em nota.

O presidente ainda convocou para esta terça-feira (31), uma reunião com os secretários de segurança pública de todo País para discutir medidas efetivas para combater a violência contra a mulher.

“Vamos criar um departamento na Polícia Federal tal como fiz com a Delegacia da Mulher na Secretaria de Segurança Pública do governo Montoro, em São Paulo. Ela vai agrupar informações estaduais e coordenar ações em todo país. Nosso governo está mobilizado, juntamente com a Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro, para apurar as responsabilidades e punir com rigor os autores do estupro e da divulgação do ato criminoso nas redes sociais”, conclui a nota.

Rodrigo Ribeiro

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