Casos de estupro têm alta de 24% no 1º semestre em Campinas, diz SSP (G1/Campinas e Região – 02/08/2016)

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Foram 107 registros nos seis primeiros meses de 2015 contra 133 este ano. Sumaré, Piracicaba, Santa Bárbara e Valinhos também tiveram aumento

Campinas (SP) registrou 133 casos de estupro no primeiro semestre deste ano. No mesmo período de 2015 foram 107 ocorrências, o que representa um crescimento de 24,2%, segundo dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP).

Sumaré (SP), Piracicaba (SP), Santa Bárbara d’Oeste (SP) e Valinhos (SP) também registraram alta neste tipo de crime.

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Campinas
Em Campinas, fevereiro e março foram os meses com o maior número de casos, com 30 registros cada.

Já em relação ao local de ocorrência deste tipo de crime, 35,3% dos casos foram registrados nas regiões do Ouro Verde e Campo Grande.

De acordo com os dados da SSP, foram 27 registros no 9º DP e 20 no 11º DP.

Mais cidades

Além de Campinas, outras quatro cidades também registraram aumento neste tipo de crime em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Em Piracicaba, nos seis primeiros meses deste ano, o município contabilizou 20 denúncias do crime, 81% a mais que no mesmo período de 2015, quando, de janeiro a junho, a cidade registrou 11 ocorrências.

Em Valinhos foram 166% a mais que no ano anterior. Já em Santa Bárbara d’Oeste o aumento foi de 400% em relação ao mesmo período de 2015.
No entanto, em Sumaré o crescimento deste tipo de ocorrência foi ainda maior. Uma alta de 640%. Foram cinco casos no 1º semestre de 2015 contra 37 no mesmo período deste ano no município.

Vítima

Um adolescente de Sumaré, que não pode ser identificada, conta que foi vítima de estupro. Ela e uma amiga foram violentadas em um domingo de manhã. Elas aguardavam num ponto de ônibus quando foram rendidas por um homem e levadas para um lugar escondido.

“Eu não saio mais sozinha de casa, só acompanhada, alguém leva e vai buscar. A família sofre muito também, tá sofrendo até hoje”, desabafa.
Perfil

A partir dos dados da SSP, a Delegacia Seccional que atende Sumaré analisou os dados e descobriu que metade deles ocorre dentro de casa, é o chamado estupro doméstico.

Além disso, em apenas 30% dos casos investigados a polícia consegue saber o que de fato aconteceu. “Os outros 70% a gente faz o nosso trabalho, encaminha para o Ministério Público e depois ele faz sua manifestação, encaminha para o juiz que avalia e decide se tem elementos para condenação penal”, afirma o delegado Paulo Tucci.

O delegado destaca ainda que quando a denúncia envolve crianças de 2 a 5 anos é muito difícil descobrir a verdade, porque falta equipe especializada. “Uma equipe de assistente social, psicólogo, que converse com a criança várias vezes e daí elas produzem um relatório. Na região não conheço nenhuma comarca que tenha”, explica.

Orientação

Em caso de violência sexual, além de ir até a polícia, as vítimas de estupro também devem, urgentemente, procurar as unidades de saúde. De acordo com Serviço de Atenção Especial às Mulheres Vítimas de Violência Sexual do Hospital da Mulher da Unicamp, o Caism, quanto mais rápido ela procurar, maior eficácia terá o tratamento, já que até 72h é possível fazer a profilaxia contra doenças sexualmente transmissíveis e gravidez.

Depois desse período, até o quinto dia após o crime ainda é possível prevenir a gravidez. Além disso, a vítima passa por um acompanhamento psicológico por seis meses.

Em nota, a SSP informou que, no primeiro semestre de 2016, foi registrado aumento de casos de estupros com autoria conhecida e estupros de vulnerável com autoria conhecida. A delegada Licia Cordeiro, titular da DDM de Campinas, explica que tais delitos ocorrem em sua maioria no âmbito doméstico, o que dificulta medidas de prevenção.

A pasta disse ainda que o secretário da Segurança Pública, Mágino Barbosa, criou um grupo de estudo com promotoras e membros das polícias para combater os casos de violência doméstica e sexual.

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