Casos de estupros aumentam 68,9% em Rio Claro, apontam dados da SSP (Jornal Floripa – 01/02/2016)

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Dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) mostram que o número de estupros cresceu em Rio Claro (SP) em 2015 na comparação com o ano de 2014. No ano retrasado, foram registrados 29 casos contra 49 do ano passado, totalizando um aumento de 68,9%.

“No Brasil, sempre houve um tabu para se falar sobre violência contra mulher. A gente tem que levar em consideração de que o estupro, hoje, muitas vezes não é denunciado, então se temos esse número em Rio Claro entre 2014 e 2015, com certeza, não aborda o número total de casos”, explicou a cientista social Nathália Ferreira.

Segundo o delegado Álvaro Noventa Junior, os números aumentaram por causa da mudança de Lei 12.015 de 2009 sobre os crimes de estupros e atentado violento. “Hoje, no estupro não precisa mais haver penetração, basta a pessoa sofrer uma violência física em relação ao sexo, uma pessoa que agarra uma mulher ou um homem, passar a mão nas nádegas de uma pessoa de forma mais violenta, tudo isso é considerado estupro”, explicou Junior.

Denúncias
Grupos que lutam pelo direito das mulheres afirmam que nem todos os casos de estupros são relatados porque a cidade não tem uma Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) que ofereça o suporte necessário. Além disso, o assunto ainda não é suficientemente tratado como se deve.

“Nós vivemos em uma cultura do estupro em que o crime é relativizado, a vítima é culpabilizada e o agressor fica como um mero aleatório da situação, como se circunstâncias como a bebida, roupa e andar na rua sozinha causasse estupro, e isso não é uma realidade”, disse Nathália Ferreira.

De acordo com o delegado da seccional, o prédio da DDM já está construído, mas não está funcionando porque ainda faltam muitos itens a serem ajustados. “Temos algumas solicitações em aberto, como o mobiliário, os equipamentos eletrônicos e a contratação de novos funcionários, que deve ocorrer em breve, acredito que até março ou abril tenhamos uma noticia a respeito”, concluiu Álvaro Noventa Júnior.

Em caso de denúncias, a vítima deve ir até a delegacia de polícia e registrar a ocorrência. Caso necessário, a mulher pode exigir atendimento exclusivo em uma sala isolada e ser atendida por uma funcionária.

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