Casos de feminicídio são maiores no interior de MS, apontam estatísticas (G1/Mato Grosso do Sul – 08/08/2016)

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No 1º semestre de 2016, estado registrou 16 feminicídios; 2 na capital. Trabalho da capital precisa ser levado para interior, afirma governo

Um ano e seis meses depois de ganhar a primeira Casa da Mulher Brasileira do país, Mato Grosso do Sul comemora a queda de casos de feminicídio e violência contra a mulher na capital ao mesmo tempo em que se preocupa com a situação das mortes no interior do estado.

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No primeiro semestre deste ano, 16 mulheres foram mortas no estado, sendo 2 casos em Campo Grande e os demais no interior, em cidades de pequeno e médio porte. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (8) pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e fazem parte do calendário em alusão aos 10 anos de criação da Lei Maria da Penha, que tornou mais rigoroso o combate à violência contra mulher.

Juíza Jacqueline Machado e subsecretária Luciana Azambuja Roca (Foto: Gabriela Pavão/ G1 MS)

Juíza Jacqueline Machado e subsecretária Luciana Azambuja Roca (Foto: Gabriela Pavão/ G1 MS)

Segundo a subsecretária de Estado de Políticas Públicas para Mulheres, Luciana Azambuja Roca, os números apontam a interiorização da violência contra a mulher e demonstram que o trabalho feito em Campo Grande, na Casa da Mulher Brasileira, deve ser levado para o interior do estado.

“A violência contra a mulher está se interiorizando. Na maioria dos casos, os crimes foram cometidos pelos companheiros ou ex-companheiros das vítimas, a maioria deles usou arma branca. O motivo alegado pelos autores é a não aceitação do fim do relacionamento e continua aquele pensamento de que a mulher é sua propriedade, ‘se não ficar comigo, não vai ficar com ninguém’. É o ápice da violência de gênero”, afirmou a subsecretária em entrevista coletiva nesta manhã.

Para o secretário de Justiça e Segurança Pública, José Carlos Barbosa, a ausência de delegadas no interior do estado, por exemplo, é um dos fatores que dificulta o atendimento às mulheres vítimas de violência.

“A mulher ao primeiro sinal está denunciando. A política que avança na capital precisamos levar para o interior. A ausência de delegadas para fazer esse tipo de atendimento é um ponto importante, porque o homem pode fazer esse trabalho muito bem, mas a mulher vítima se sente muito mais à vontade para encontrar esse atendimento em outra mulher”, afirmou Barbosa.

Mudança de perfil

A violência contra mulher atinge vítimas de várias idades, raças, cores e classes sociais, mas ficou constatado também que houve mudança no perfil dos casos de violência, segundo Luciana. A explicação está no encorajamento das mulheres em denunciar desde as primeiras agressões, quando ainda são violência moral, por exemplo.

“A violência física diminuiu, ao mesmo tempo que a violência psicológica, a ameaça e a injúria, aumentaram, demonstrando que as mulheres não aceitam e denunciam ao menor sinal de agressão. Hoje é uma ameaça, uma injúria, mas a amanhã, pode ser um feminicídio”, afirmou Luciana.

O secretário de Justiça e Segurança Pública ressalta que a divulgação dos dados é positiva no combate à violência contra a mulher e lembra que Mato Grosso do Sul sempre foi destaque no enfrentamento à esse tipo de violência porque foi um dos primeiros estados do país a ter delegacia de atendimento à mulher, além de ter inaugurado a primeia Casa da Mulher Brasileira.
“A divulgação desse trabalho tanto favorece mulheres a buscarem seus direitos como também alerta os agressores de que o estado está agindo para cumprir a Lei Maria da Penha. Essas estatísticas são importantes para estabelecer políticas públicas. Os números ainda precisam ser trabalhados porque é preciso entender se a violência está aumentando ou se as mulheres estão se encorajando.

A instalação da Casa da Mulher Brasileira na capital sul-mato-grossense contribuiu de forma direta para a diminuição dos casos mais graves de violência, apesar do aumento dos números de denúncias.

Casa da Mulher Brasileira de Campo Grande (MS) (Foto: Gabriela Pavão/ G1 MS)

Casa da Mulher Brasileira de Campo Grande (MS) (Foto: Gabriela Pavão/ G1 MS)

Serviço

A Casa da Mulher Brasileira fica na rua Brasília, no Jardim Imá, perto do Aeroporto Internacional de Campo Grande. O atendimento é 24 horas no local. O telefone para contato é (67) 3304-7575 e para denúncias é o 180.

O local é um espaço onde as mulheres sul-mato-grossenses podem receber atendimento humanizado e integrado, da Polícia Civil através da Delegacia Especializada de Atendimento às Mulheres (DEAM), Juizado Criminal, Defensoria Pública e Promotoria do Ministério Público.

No local também funciona uma brinquedoteca, para onde são levadas crianças filhas das vítimas da violência doméstica, durante o tempo em que estiverem recebendo atendimento.

Gabriela Pavão
Do G1 MS

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