Ciclo de Formação visa qualificar mulheres para ingresso em curso de pós-graduação (MPBA – 27/09/2016)

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Naiara Natividade, 33 anos, negra, é historiadora e, há três anos, tenta ingressar no mestrado na área de Educação. Neste período, durante a elaboração do projeto de pesquisa, ela enfrentou algumas dificuldades, especialmente no tocante à estruturação do arcabouço teórico da proposta. Assim como Naiara, tantas outras mulheres que passam por esta situação terão a oportunidade de se instrumentalizar para ingressar nos cursos de pós-graduação, mestrado e doutorado, a partir das orientações técnicas que receberão no I Ciclo de Formação Opará Saberes!. Com o apoio do Ministério Púbico estadual, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate à Discriminação (Gedis) e do Grupo de Atuação Especial em Defesa Da Mulher e da População LGBT (Gedem), que integram o Centro de Apoio aos Direitos Humanos (CAODH), o Ciclo teve início na tarde de ontem, 26, na sede do MP, em Nazaré, e segue até 1º de outubro, com conclusão no próximo dia 11. A abertura do evento contou com a conferência magna ‘África e Feminismo. Como descolonizar o conhecimento.’, da pesquisadora Florita Cuhanga de Kinjango.

A procuradora de Justiça Márcia Virgens considerou a ideia visionária do ponto de vista da luta, promoção da igualdade e combate ao racismo. “Um dos projetos mais inovadores que vivenciamos este ano é a construção deste curso. São três meninas mulheres que ousaram desafiar a situação na academia, que conta com um pensamento hegemônico sem visitar as especificidades do sujeito de direito. O que a vida quer da gente é coragem!”, disse ela. Para a promotora de Justiça Lívia Vaz, coordenadora do Gedem e do Gedis, “esta é uma oportunidade de centrar as epstimologias negras na formação e difusão de conhecimento das temáticas negras, sendo discutidas pelo negro, sobre o negro e para o negro”. Lívia salientou ainda que “o racismo institucional é tão impregnado que as instituições têm dificuldades de pautar esse temas”. A coordenadora do CAODH, promotora de Justiça Márcia Teixeira, considerou que “toda política pública deve ser pautada na perspectiva de gênero e raça. Muitas pautas dos Direitos Humanos não estão necessariamente asseguradas nas políticas públicas. Sentimos falta desse olhar nas produções acadêmicas, na análise de planos de gestão”.

Elaborado por três mulheres negras, o Ciclo de Formação tem como objetivo fomentar o ingresso de mulheres, especialmente as negras, no ambiente acadêmico, proporcionando o debate sobre temáticas de gênero e raça e permitindo um suporte técnico, discursivo e metodológico para os integrantes. “Sempre somos objetos de estudo, nunca sujeitos de produção de conhecimento. Temos intelectualidade e vamos colocá-la a serviço do povo negro”, afirmou Carla Akotirene, doutoranda e mestre em estudos disciplinares sobre gênero, mulheres e feminismo. “Sinto-me na obrigação ética e política de subsidiar outros homens e mulheres negras que se parecem comigo”, ressaltou ela, que vislumbrou o curso com as acadêmicas Laura Augusta e Viecha Vinhático. “Infelizmente há uma redução de acesso aos cursos por todo contexto de vulnerabilidade que estamos inseridas”, pontuou Viecha.

Durante o Ciclo, serão realizadas aulas e palestras focando em temas como: programas de seleção; linguística; revisão de material, monitoria; interseccionalidade como aporte metodológico das ciências sociais; resignificando a violência: o epistemicídio e a violência contra negros e negras no ambiente acadêmico; antropologia da saúde, racismo e vulnerabilidade: como trabalhar gênero e raça na construção dos projetos de pesquisa, entre outros.

Manuela Damaceno

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