Cirurgias reparadoras em mulheres aumentaram 167% nos últimos 5 anos (Casa Saudável – 21/11/2015)

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Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) apontam que as cirurgias reparadoras em mulheres. consequência de causas como violência doméstica, nos últimos cinco anos mais que dobraram no País, com um aumento de 167%. Em 2009, foram realizadas cerca de 149 mil intervenções, enquanto que em 2014 o número subiu para 399 mil procedimentos. “Sem dúvida é uma grande conquista e deve ser celebrada, pois a cirurgia reparadora pode devolver à mulher a autoestima perdida pela violência sofrida, além de reinseri-la na esfera social”, comenta o presidente nacional da SBCP, João de Moraes Prado Neto.

Além dos casos de violência doméstica, as cirurgias reparadoras são indicadas para pacientes submetidos à cirurgias oncológicas, vítimas de acidentes no trânsito ou problemas congênitos que evoluíram com perda ou prejuízo da forma ou da função de determinada região do corpo. Mais recentemente foram incluídos os pacientes que se submeteram à cirurgia bariátrica e posteriormente evoluíram para uma condição em que a flacidez e a sobra de tecidos consequentes à perda de peso causaram algum grau de prejuízo à imagem ou às atividades daquele indivíduo.

“Muitas vezes subestimada, a cirurgia reparadora pode significar uma vida nova ao paciente, por exemplo, no caso de um queimado ou como em casos de mulheres que tiveram câncer de mama, foram submetidas à mastectomia sem reconstrução mamária e posteriormente sofreram de depressão relacionada à perda de autoestima pela retirada da mama”, explica Alexandre Fonseca, um dos coordenadores da pesquisa e Membro Titular da SBCP.

Violência doméstica

Segundo dados da Secretaria de Políticas para Mulheres, uma mulher é espancada a cada 15 segundos no Brasil. Visando agilizar o atendimento e oferecer a cirurgia plástica reparadora na rede pública para mulheres vitimadas pela violência doméstica e que tenham indicação para realizar o procedimento, a SBCP e a The Bridge Global lançaram, em outubro de 2013, o 1º Programa de Cirurgia Reparadora para Mulheres Vítimas de Violência Doméstica.

Após um cadastro por meio de um número telefônico as mulheres relatavam suas queixas para as psicólogas atendentes e são selecionadas para a consulta clínica e se houvesse necessidade, eram encaminhadas para a cirurgia reparadora.

Atualmente o programa está suspenso por falta de patrocinadores mas, segundo o médico Luis Henrique Ishida, um dos articuladores do programa e diretor da SBCP, deve ser retomado se a proposta aprovada pela Câmara que prevê cirurgia plástica pelo SUS em mulheres que sofreram violência. “O programa começou em São Paulo, como piloto, em 11 hospitais públicos com cerca de 100 médicos voluntários e expandiu para outras cidades do Brasil. É uma grave questão de saúde pública e a SBCP se antecipou no sentido de poder devolver o respeito e autoestima a essas mulheres”, defende.

A proposta, aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados, estabelece que as mulheres vítimas de violência doméstica tenham direito a realização de cirurgia plástica reparadora na rede pública de saúde. O texto agora aguarda a sanção presidencial.

Malu Silveira

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