Ciúmes é a principal causa de violência contra a mulher em São Luís (O Imparcial – 12/03/2014)

31% dos casos de violência doméstica foram praticados por causa do inconformismo com o fim do relacionamento

Juiz Nelson Melo de Moraes Rêgo e desembargadora Nelma Sarney (Foto: O imparcial)

Juiz Nelson Melo de Moraes Rêgo e desembargadora Nelma Sarney (Foto: O imparcial)

Do ciúme simples ao homicídio. O inconformismo com o fim do relacionamento, que pode partir de uma simples insatisfação até chegar ao nível mais extremo, é a principal causa dos casos de violência contra a mulher em São Luís. Isso é o que revela as denúncias registradas pelos órgãos que integram a Rede de Proteção à Mulher na capital, no ano de 2013.

De acordo com os dados da pesquisa apresentada nesta quarta-feira (12) na Corregedoria Geral da Justiça, a insatisfação masculina quando o namoro ou casamento chaga ao fim, representa 31% dos casos de violência doméstica, seguida do ciúme com 17%. Os números foram apresentados pelo juiz titular da vara, Nelson Melo de Moraes Rêgo e pela corregedora-geral da Justiça, desembargadora Nelma Sarney.

De acordo com Nelson Melo, a violência decorrente do inconformismo com o fim do relacionamento ocorre por haver uma relação de poder, onde o homem é o dominador e a mulher a dominada.

“Quando isso ocorre, o agressor ver a mulher como um objeto e não como um ser humano. Esse tipo de violência é uma das mais preocupantes, pois pode levar a estágio mais extremo, que é a morte. Por isso a importância da denúncia, tão logo as agressões sejam observadas”, explicou o juiz.

O juiz informou ainda que os números apresentados nesta quarta-feira revela que as mulheres já não demoram mais para denunciar o agressor, o que facilita a coleta de dados.

“É uma pesquisa que traz todos os dados sobre o homem que comete a violência, o agressor, e também informações sobre a mulher que sofre a violência. E não estamos apenas falando da violência física, pois existem outras formas de agredir, como a violência psicológica, com palavras e atitudes que remetem à mulher uma sensação de inferioridade, afetando a autoestima e fazendo-a parecer incapaz”, afirmou Nelson Moraes Rego.

A pesquisa aponta também, que a faixa etária predominante das vítimas é de 26 a 34 anos que representa 40 % do total de denúncias. Já em relação a profissão, as vítimas são na maioria donas de casa, que representam 23% do total dos casos e, em seguida as empregadas domésticas com 15%. Os dados também revelam a escolaridade das vítimas, na sua maioria tem Ensino Médio completo, o que representa 12% do total das denúncias.

Perfil do agressor

Em relação ao agressor, a pesquisa revela que a faixa etária em evidência está entre 26 e 34 anos, que representa 30% do total dos casos denunciados. Já em relação à profissão, os denunciados são: pedreiros (7%), motoristas (5%) e vigilantes (4%). O relatório identificou ainda um significativo percentual quanto à ingestão abusiva de bebida alcoólica e drogas. Os números mostram que 27% dos casos de violência foram cometidos sob o uso de álcool , assim como, sob o uso de drogas, (15%).

Onde a violência é praticada

Sobre os bairros com maior incidência da violência, a pesquisa revela que Anjo da Guarda, Coroadinho e Turu lideram o número de casos, empatados com 4% das denúncias registradas.

Tipos de violência

Violência física – ação ou omissão que coloque em risco ou cause dano à integridade física de uma pessoa.

Violência moral – ação destinada a caluniar, difamar ou injuriar a honra ou a reputação da mulher.

Violência patrimonial – ato de violência que implique dano, perda, subtração, destruição ou retenção de objetos, documentos pessoais, bens e valores.

Violência psicológica – ação ou omissão destinada a degradar ou controlar as ações, comportamentos, crenças e decisões de outra pessoa por meio de intimidação, manipulação, ameaça direta ou indireta, humilhação, isolamento ou qualquer outra conduta que implique prejuízo à saúde psicológica, à autodeterminação ou ao desenvolvimento pessoal.

Violência sexual – ação que obriga uma pessoa a manter contato sexual, físico ou verbal, ou a participar de outras relações sexuais com uso da força, intimidação, coerção, chantagem, suborno, manipulação, ameaça ou qualquer outro mecanismo que anule ou limite a vontade pessoal.

*Repórter Gladys Alves

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