CMM aponta 6 mil casos de violência contra a mulher (Jornal de Piracicaba – 22/08/2016)

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Piracicaba registrou 6.038 casos de violência contra a mulher de janeiro 2013 a junho 2016. O levantamento foi feito pelo CMM (Conselho Municipal da Mulher), mas o órgão acredita que o número real seja ainda maior, já que fatores como o déficit de estrutura e pessoal da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) dificultam o registro dos casos. O número foi obtido pelo CMM a partir de um estudo realizado com os órgãos de segurança, como a Polícia Civil, e o os serviços como a Vigilância Epidemiológica, Ministério Público, Defensoria Pública e Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social).

De acordo com Thais Progete, presidente do CMM, as alterações na estrutura das delegacias dificultam o registro dos casos e reflete nos números. “Entre os principais problemas está o número de funcionários que é bem inferior ao ideal. Como se não bastasse, neste ano o Estado reduziu a quantidade de estagiários que atuam no local. Hoje a mulher que chega na delegacia enfrenta inúmeras dificuldades para registrar um BO ou fazer uma representação contra o agressor. Isso tem sido um desestímulo para que as vítimas tenham seus direitos assegurados”, afirmou.

Segundo Thais, a Lei Maria da Penha, que completou dez anos, representa um marco na luta pelos direitos da mulher. “A lei trouxe maiores garantias da integridade da mulher. Hoje há consciência da importância da denúncia e da busca pelos direitos. As mulheres passaram a ter uma nova percepção sobre o que é violência e isso as fez ter mais coragem de denunciar seus agressores”, disse.

EVENTO — Com o objetivo de debater os direitos da mulher na sociedade, o CMM e a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), subseção Piracicaba, realizam um evento na quarta-feira, 24, às 19h, no anfiteatro da ordem. As atividades são abertas para o público e a entrada é gratuita, mas os organizadores solicitam a doação de um livro que será encaminhado ao Centro de Ressocialização Feminino de Piracicaba.

A palestra A Violência Contra a Mulher e a Culpabilização da Vítima será apresentada por Marilda Soares, doutora em história social, consultora do Conepir (Conselho da Comunidade Negra de Piracicaba) e assessora da Semtre (Secretaria Municipal de Trabalho e Renda).

Na sequência haverá mesa redonda com o tema Políticas Públicas como Instrumento de Prevenção e Enfrentamento à Violência Contra a Mulher. A atividade terá a participação de Juliana Ricci, delegada da DDM; Luana Bruzasco, advogada do Centro de Referência de Atendimento à Mulher; Karina Sabedot, defensora pública; Ermelinda Esteves, interlocutora de Violência Interpessoal, e Thais Progete.

Felipe Ferreira

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