Comarca de Mirassol lança projeto para combater a violência doméstica (O Documento – 15/04/2013)

As mulheres vítimas de violência doméstica que procuram a Comarca de Mirassol D´Oeste (300 km a Oeste) em busca de medida protetiva, têm conseguido muito mais que uma decisão judicial. Elas, assim como os agressores, são inseridas no Projeto Flor de Lótus, que por meio de ciclos de reflexão, com psicóloga e assistente social, ajudam a resgatar a autoestima, restaurar a dignidade e restabelecer o diálogo entre as partes.

Implantado em 2012, o projeto a partir desse ano passou a contar com os ciclos de palestras onde participam, em média, 50 pessoas, entre homens e mulheres. Vale ressaltar que as vítimas e os agressores ficam em ciclos separados. Participar das palestras não é uma opção, mas sim uma determinação judicial.

“Por meio dos atendimentos psicológicos e visitas da assistente social tem sido possível descortinar as causas e os efeitos da violência, o que permite oferecer tratamento adequado às vítimas e também aos agressores, haja vista que o simples fato de afastá-lo da vítima não impede que este vitime outras mulheres com quem venham a ter futuros relacionamentos”, acredita o juiz Anderson Candiotto, da 1ª Vara Mista de Mirassol D´Oeste.

Conforme o magistrado, com os ciclos de reflexão, que acontecem uma vez por mês, tem-se buscado a compreensão pelas mulheres da importância de submeterem-se ao tratamento e acompanhamento psicológico, a fim de que seja restabelecida a autoestima e restaurada a dignidade. As vítimas também são incentivadas a se capacitarem e alcançarem a independência emocional e financeira, “tudo para que não aceitem submeterem-se a nenhum tipo de violência”, explica o magistrado.

Com os homens o trabalho realizado nos ciclos tem o objetivo de fazê-los entender o prejuízo que a violência acarreta a toda família e também à sociedade, e que problemas de qualquer natureza devem ser resolvidos por meio do diálogo e não da violência, seja ela de qualquer natureza. Além disso, tanto homens quanto mulheres estão sendo instruídos acerca da Lei Maria da Penha.

O magistrado destaca que o projeto já tem resultados positivos. Ele cita como exemplo o caso de um agressor que teve a prisão preventiva decretada e que durante o tempo em que ficou foragido procurava a esposa para reatar o relacionamento. A vítima disse ao esposo que só o aceitaria de volta se ele se entregasse à Justiça e se submetesse ao tratamento que está sendo desenvolvido pelo projeto.

“O agressor, confiando no trabalho do projeto e no intuito de recuperar-se para ter um relacionamento saudável com sua esposa, entregou-se para que fosse efetuada sua prisão e atualmente ambos estão inseridos no Projeto Flor de Lótus, a fim de retomarem o relacionamento amoroso de forma saudável e harmoniosa para toda a família”, comemora o magistrado.

A psicóloga que acompanha os ciclos de palestras, Izaura Martinho, ressalta que no começo do Flor de Lótus a maior dificuldade com relação as vítimas, foi fazê-las acreditar no projeto. “Elas vêm de relacionamentos traumáticos, onde sofreram agressão física e psicológica, estão magoadas e sem forças para recomeçar. No segundo módulo das palestras já sentimos a mudança neste tipo de comportamento, a aceitação foi maior, a procura aumentou e os resultados começaram a aparecer”.

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