Comitê fixa cartazes e vai mapear assédio sexual em ônibus no Recife (G1/Pernambuco – 01/09/2016)

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Ideia é estimular a denúncia e mostrar que agressor não sairá impune. Motoristas, cobradores e fiscais passarão por capacitação sobre o tema

Para mapear os casos de assédio sexual ocorridos em ônibus, o Comitê de Combate ao Assédio Sexual no Sistema de Transporte Público resolveu fixar cartazes nos três mil coletivos em circulação no Grande Recife. Com o tema ‘Esse é o destino de quem comete Assédio Sexual, a delegacia’, a meta é estimular a prática da denúncia e mostrar para o agressor que seu ato não sairá impune.

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De acordo com o gerente de relacionamento do Grande Recife Consórcio e integrante do Comitê, Marcos Petrônio, os órgãos envolvidos não tem noção da dimensão do problema nos ônibus por causa da falta de denúncia. “É ela [denúncia] que nos norteia. A vítima não denuncia e nós ficamos sem dados para elaborar políticas públicas eficientes. Não temos dimensão da quantidade de casos, quais linhas têm mais e o perfil dos agressores”.

Voltado para os usuários, os cartazes estão colocados na divisória entre o motorista e o restante do ônibus. Neles, há o telefone da central de denúncias da Ouvidoria das Mulheres: 0800 281 8187.

Comitê fixa cartazes para mapear assédio sexual em ônibus no Recife (Foto: Grande Recife Consórcio/Divulgação)

Comitê fixa cartazes para mapear assédio sexual em ônibus no Recife (Foto: Grande Recife Consórcio/Divulgação)

Além do Grande Recife Consórcio, o comitê é composto pelas Secretarias da Mulher, das Cidades, de Defesa Social, do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (Urbana-PE) e representantes da sociedade civil. “Todos conhecem alguém que foi vítima, mas isso não reflete no número de denúncias, por causa da cultura do estupro. Infelizmente, as pessoas pensam que é normal o abuso em coletivos. Não é e não tem que ser”, aponta Petrônio.

Essa primeira campanha acontecerá até o dia 14 deste mês. No entanto, Marcos Petrônio garante que a iniciativa seguirá sempre com formatos diferentes. “Por experiência, sabemos que um cartaz perde a visibilidade dos usuários em 15 dias. Como vira algo comum no ônibus, começa a passar despercebido pelos passageiros. A ideia então é manter a mensagem, mas sempre com uma arte diferente”, pontua.

Os motoristas, cobradores e fiscais também passarão por uma preparação. Tópicos como machismo, misoginia e como agir caso presencie um assédio serão incluídos na capacitação anual dos operadores. “Todo ano eles passam por uma capacitação de primeiros socorros e normas de conduta. Vamos incluir esses tópicos para tornas os operadores agentes multiplicadores”, adianta o gerente de relacionamento do Grande Recife. A próxima turma já está marcada para novembro e dezembro.

Animada, a delegada da Mulher, Ana Elisa Sobreira, espera que a campanha traga bons frutos para o combate a esse tipo de crime. À frente da 1ª Delegacia da Mulher desde dezembro de 2015, ela só recebeu, até o momento, uma denúncia de abuso cometido dentro de um coletivo. “Isso não porque não acontece. Pelo contrário, acontece todo dia, todo tempo, mas ninguém denuncia, porque as pessoas já não enxergam aquilo como anormal. Isso precisa mudar”, alerta.

Para ela, o mapeamento criará um ciclo de combate. “Com ele, teremos dados efetivos para atuarmos de forma mais presente nos locais com índice de abuso maior. Além disso, os órgãos poderão criar políticas públicas para eliminarmos o problema. Já que esse homem não foi educado quando criança, precisamos de boas políticas públicas para blindarmos nossas mulheres. O homem não pode mais achar que não acontece nada com ele e que ele ficará impune”, conclui.

Thays Estarque
Do G1 PE

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