Congresso terá comissão para monitorar violência contra a mulher (Agência Senado – 05/11/2013)

Senadoras e deputadas se solidarizaram com Mara Rúbia, de óculos escuros, no Plenário do Senado (Foto: Moreira Mariz/ Agência Senado)

Senadoras e deputadas se solidarizaram com Mara Rúbia, de óculos escuros, no Plenário do Senado (Foto: Moreira Mariz/ Agência Senado)

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), anunciou nesta terça-feira (5) que o Congresso terá uma comissão para monitorar casos de violência com a mulher. O anúncio ocorreu durante ato em que um grupo de senadoras e deputadas federais dirigiu-se ao Plenário do Senado para prestar solidariedade à operadora de caixa Mara Rúbia Guimarães, que teve os dois olhos perfurados com uma faca de cozinha pelo ex-marido, em Goiânia.

“Enquanto nós não tivermos aprovado na sessão do Congresso Nacional essa comissão definitiva para acompanhamento”, afirmou Renan, “eu assumo com as deputadas e a presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal o compromisso de que teremos temporariamente uma comissão que vai, sim, acompanhar esses casos”.

Da tribuna várias senadoras manifestaram apoio a Mara Rubia e criticaram o Ministério Público de Goiás por ter emitido parecer considerando que o ex-marido não teve a intenção de matar a vítima.

Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) reclamou da falta de ação do Ministério Público de Goiás e da Secretaria de Segurança do estado que não tomaram nenhuma providência para o caso mesmo após terem sido solicitados pelas Procuradorias da Mulher da Câmara e do Senado.

— Não recebemos nenhuma resposta que pudesse nos acomodar no sentido de que pelo menos a Justiça está sendo buscada — protestou Vanessa Grazziotin.

No mesmo sentido, a senadora Ana Rita (PT-ES), presidente da Comissão de Direitos Humanos, criticou o Ministério Público de Goiás por tentar, segundo ela, “desqualificar o caso de Mara Rúbia, como se não fosse tentativa de homicídio, mas apenas de lesão corporal”.

Já a senadora Lídice da Mata (PSB-BA), considerando o caso de Mara Rúbia como um exemplo típico de violência de gênero, alertou para a necessidade de acompanhamento total do andamento do processo de Mara Rúbia pelas Procuradorias da Mulher do Senado e da Câmara. Em sua avaliação, o crime que atingiu Mara Rubia é uma prova de que muitos homens não valorizam a vida da mulher. Para eles, matar ou ferir uma namorada, esposa ou companheira tornaram-se atos banais.

Após ouvir as denúncias das parlamentares, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) informou que deverá tratar do assunto com o ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, em reunião nesta quarta-feira (6), no Palácio da Justiça. Renan acrescentou que pedirá ao procurador-geral de Justiça Rodrigo Janot Monteiro de Barros, providências quanto às denúncias com relação ao posicionamento do Ministério Público de Goiás no caso de Mara Rúbia.

Manifestaram ainda solidariedade a Mara Rúbia os senadores Benedito de Lira (PP-AL), Ana Amélia (PP-RS), Lúcia Vânia (PSDB-GO), Inácio Arruda (PCdoB-CE), Osvaldo Sobrinho (PTB-MT) e Sérgio Souza (PMDB-PR).

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