Contra banalização, ONG reúne homens da rede que atende mulheres vítimas de violência (Sul 21 – 21/03/2016)

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A banalização da violência contra a mulher é tão forte que está presente, muitas vezes, até mesmo na rede de atendimento voltada às vítimas. A afirmação é da promotora legal popular (PLP) Maria Guaneci, que há 20 anos atua amparando mulheres em situação de violência doméstica, a partir do programa de formação promovido pela organização Themis. Para combater essa realidade, a ONG realiza, nesta quarta-feira (23), uma conversa com os trabalhadores de diversos setores desta rede.

A atividade também se baseia no fato de que a rede de enfrentamento é composta, em sua maioria, por profissionais homens: são policiais, escrivães, peritos, delegados, promotores, juízes, entre outros que trabalham desde o primeiro momento da denúncia. O objetivo do encontro é “reaproximar os serviços, rearticular as políticas públicas em defesa das mulheres e discutir com esses serviços”, segundo Maria Guaneci. Caso apareçam insatisfações específicas ao longo do debate, também será possível criar iniciativas e propor soluções com a população.

Segundo Maria, é “muito comum” as mulheres reclamarem da falta de sensibilidade durante o atendimento referente à violência. Em 2015, o debate veio à tona em Porto Alegre quando uma jovem foi estuprada no Parque da Redenção e, ao buscar atendimento na Delegacia da Mulher, afirmou ter sido tratada com descaso. Sua denúncia, que viralizou nas redes sociais, motivou a Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Vereadores a vistoriar os equipamentos de atendimento a mulheres. Na época, foi constatado que havia poucas peritas mulheres disponíveis para atender as vítimas no Departamento Médico Legal (DML), o que acabava intimidando as vítimas, que nem sempre se sentiam confortáveis em serem atendidas por um homem.

A atividade com os homens da rede de atendimento já foi realizada em outros dois momentos: em 1997, na Restinga, e em 2000, na Assembleia Legislativa. “Depois de todos esses anos pensamos em repetir esse evento, porque no mês da mulher sempre fazemos alguma atividade e entendemos que esta seria importante”, relata Maria. Ela avalia que, desde a primeira edição, houve melhorias especialmente em termos de ampliação da rede, mas que as mulheres continuam sendo desrespeitadas muitas vezes. “Tem que haver uma reeducação dessas pessoas que estão à frente dos serviços para que acolham melhor essas mulheres”, constata a PLP.

A atividade “A violência contra as mulheres na boca dos homens” acontece a partir das 18h, Centro de Promoção da Infância e da Juventude, na Restinga (CPIJ-Rua Mississipi, 130). A mesa será composta por representantes da Brigada Militar, da Policia Civil, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, Defensoria Pública do Rio Grande do Sul, Ministério Publico do Rio Grande do Sul, Secretaria Municipal de Saúde, Guarda Municipal, Conselheiro Tutelar, Assistência Social CRES, o Instituto Federal do Rio Grande do Sul (Ifet Restinga).

As promotoras legais populares são lideranças comunitárias femininas capacitadas em noções básicas de Direito, direitos humanos das mulheres, organização do Estado e do Poder Judiciário. A formação é feita pela ONG Themis desde 1993 e consiste em 80 horas/aula que capacitam as mulheres a atuar em suas comunidades na defesa, orientação e triagem de demandas de violação de direitos; na prevenção de violações, através da educação sócio-comunitária, e na promoção de direitos, com participação e representação em conselhos, conferências, comissões e fóruns.

Débora Fogliatto*
*Com informações da Themis

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