Crianças são vítimas de exploração sexual na região do Marajó (Radioagência Nacional – 06/05/2015)

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Na tarde dessa quarta-feira (6) a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, debateu casos de exploração sexual de crianças e adolescentes na região do Marajó, no Pará.

O debate contou com a presença de representantes do governo do Estado e representantes de instituições não governamentais que atuam no combate à violência sexual de menores de idade.

A defensora pública Rita Cristina de Oliveira Tomaz enfatizou a importância do debate e citou a Igreja Católica como aliada no combate a esse tipo de crime no Marajó.

“O Arquipélago do Marajó tem suas crianças e adolescentes entregues ao abuso sexual e à exploração sexual infantil com o privilégio de uma invisibilidade social que redunda em uma crueldade que é indescritível. A gente pensar no aparelhamento das estruturas federais e instituições federais nessa região tão vulnerável que é o Marajó. Quem sabe assim conseguimos um efetivo tratamento a ser dado para esse problema’”

A coordenadora da Comissão Justiça e Paz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), irmã Henriqueta Cavalcanti, e o bispo da paróquia do Marajó, Dom José Ascona, relataram casos de abuso de menores que eles têm acompanhado na região. Irmã Henriqueta contou que crianças ribeirinhas têm trocado a escola pela rotina de vida nas balsas, onde, segundo ela, constantemente acontecem os crimes de exploração sexual.

“Essa realidade das balsas, ela não é uma realidade que tá distante e é desconhecida. E nós queremos trazer o clamor, o desespero dessas crianças que não têm mais infância; não sabem o que é viver. Porque a vida delas simplesmente se divide em estar subindo de balsa em balsa”.

De acordo com Irmã Henriqueta, meninas dos municípios de Portel, Breves, Melgaço e Curralinho relataram que têm esperança de, nas balsas, encontrarem alguém que possa tirá-las da condição de pobreza e dar a elas uma vida melhor. A irmã e o bispo também ressaltaram que sofrem constantes ameças por combaterem esse tipo de crime na região.

A diretora de atendimento a Grupos Vulneráveis da Polícia Civil do Pará, delegada Simone Machado Araújo, lamenta que a violência sexual contra crianças e adolescentes ainda seja um problema em todo o Estado.

“Infelizmente a violência sexual em nosso estado ainda prepondera. Em quase 10 anos de atendimento do Propaz integrado, só na área metropolitana de Belém, nós tivemos mais de 16 mil crianças atendidas vítimas de violência sexual. São 16 mil crianças que não mereciam ter seus direitos violados. E isso se reflete infelizmente em todo o nosso estado”.

O deputado Arnaldo Jordy, do PPS do Pará, propositor do debate, sugeriu, como resultado da audiência, a adoção de medidas repressivas na região do Marajó. Ele pediu uma operação conjunta das Polícias Federal e Estadual, com a presença reforçada de entes públicos que atuam na defesa dos direitos humanos das crianças e adolescentes.

Ariane Póvoa

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