Crime Castelo: delegada reage e afirma que há provas contra menores e Adão (Cidade Verde – 05/08/2015)

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A titular da Delegacia da Mulher da zona Sudeste de Teresina, Anamelka Albuquerque Formiga, garantiu nesta quarta-feira (5) que a Polícia Civil tem “robustez” em provas que confirmam a participação dos cincos – quatro menores e o Adão – no estupro coletivo em Castelo do Piauí.

A delegada reage ao pedido da defensoria pública – ingressada no Tribunal de Justiça do Piauí – de que o crime foi cometido apenas por Gleison Vieira da Silva, 17 anos, que morreu em cela do CEM. Os outros três menores seriam inocentes.

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Documentos obtidos com exclusividade pela TV Cidade Verde mostram depoimentos de internos do Centro Educacional Masculino (CEM) indicando que Gleison Vieira da Silva, 17 anos, teria confessado ter praticado o crime sozinho e que receberia R$ 2 mil para incriminar os outros três menores.

“Tenho o mesmo entendimento do juiz e não retiro nada do que formulamos durante o relatório do inquérito policial. Todas as provas que juntamos, para ter o convencimento de fazer o indiciamento, ter nosso entendimento de que há robustez da participação do quatro menores. É oportuno para a defesa dizer que apenas um é o autor do fato, pois ele já está morto”, disse a delegada em entrevista ao Notícia da Manhã, desta quarta-feira (05).

A delegada defende que houve a participação dos quatro adolescentes. Ela frisa que o crime praticado contra Gleison Vieira tem as mesmas características das lesões contra as menians de Castelo do Piauí. “O modus operandis é muito similar. A agressão ficou focada na cabeça. Da mesma forma que nós vislumbramos durante as perícias que foram realizadas nas vítimas de Castelo”, reitera.

Anamelka Albuquerque reforça que os menores infratores- apreendidos horas após o crime- prestaram depoimento com riquezas de detalhes.

“No frescor do flagrante, eles falaram até do sentimento ao ver as meninas e relataram que as vítimas eram bonitas, jovens e bem vestidas. Eles contaram tudo com riquezas de detalhes. Eles foram apreendidos separadamente e houve o ‘casamento’ do depoimento de todos, com detalhes. A Polícia Civil está tranquila em relação ao inquérito. Entendemos que todos estavam na cena do crime”, reitera.

A delegada Anamelka Albuquerque- uma das responsáveis por ouvir as garotas- também rebate a tese de que as vítimas teriam reconhecido apenas a participação de uma pessoa no crime. Ela conta que quando as garotas foram ouvidas estavam muito traumatizadas e sob forte emoção.

“A gente se deslocou até ao hospital para ouvir as meninas. Elas sofreram traumas na cabeça e também psicológicos e isso compromete muitoo depoimento. Ver a cena é muito complicado para aquelas vítimas. A gente entende que às vezes pode haver confusão. Por exemplo, uma das vítimas disse que não houve conjunção carnal e quando a gente pega o laudo, ver que foi encontrado sêmen no canal vaginal. A confusão mental é muito normal. O que pode ter ocorrido é uma participação mais evidenciada do Gleison, inclusive na abordagem”, reitera.

A titular da Delegacia da Mulher da Zona Sudeste de Teresina explica ainda que a violência sexual não é caracterizada apenas pela consumação do ato sexual, mas que outras práticas libidinosas também são consideradas estupro.

“O que a defesa deles não considera é que as meninas estavam vendadas, as vítimas falam de momentos que desmaiaram, que foram arremessadas, paralelamente, uma após a outra. As que sobreviveram foram as que mais foram agredidas. Como posso acreditar que uma só pessoa praticou todos esses atos? Em relação ao exame- de ter sido encontrado apenas o sêmen do Gleison- foi detectado no local de crime e nas meninas também vestígios de violência sexual. Pode haver conjunção carnal sem se deixar fluido. Então, isso não é uma tese para ser sustentada. O laudo de local atesta que houve violência sexual. Foram encontradas peças íntimas rasgadas, escoriações próximas as coxas”, fianaliza.

Graciane Sousa

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